Sobre as coisas que eu não falo



Este espaço é livre, tendo como próposito discutir ideias a respeito de qualquer assunto. Não é um diário e nem um blog para ser levado tão a sério, é para divertir e levar a reflexão. Nem sempre as histórias ou relatos são autobiográficos. São apenas escritos desta anônima que gosta de inventar.


sábado, 19 de junho de 2010

A hora do cansaço

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.


Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.


Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.


Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.


Carlos Drummond de Andrade



        Quando li esse poema pela primeira vez, eu tinha uns quinze anos. Lia e achava belo, profundo, mas não tinha maturidade suficiente para sentir o gosto de cada palavra tão bem escolhida por Drummond. Tratando de um tema universal, o poeta coloca o homem numa posição egoísta quando deseja ter os que amam por perto eternamente, mesmo sabendo que em uma matutina ou vespertina hora se cansará.
      Passados sete anos da primeira vez que o li, algumas perguntas vêm em minha mente:

    Por que desejamos inconscientemente ou não tornar tudo que amamos infinito?
    Já que nunca provamos sequer o gosto do "para sempre", por que temos tanta dificuldade  em aceitar o término da vida?
    Apesar de ser um sonho da humanidade, seria a eternidade tediosa?


Beijos a todos que passam por aqui, sintam-se em casa! Afinal, não é em qualquer lugar que podemos expor nossas ideias que habitam a insana e misteriosa mente humana.

2 comentários:

  1. "Duram o infinito variável
    no limite de nosso poder
    de respirar a eternidade."

    Adorei isso, me tocou profundamente.

    O que eu tenho a dizer sobre esse assunto é só uma coisa simples: A gente é muito apegado a tudo.
    Jesus, o mestre da sabedoria, tentou nos ensinar sobre desapego.
    Pensem nisto.

    Te adoro amiga.
    Bjos

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  2. Lana, quanto a a ser simplesmente apego, tenho minhas dúvidas. E realmente, esses três versos do poema são muito profundos. Ele sugere que a nossa ideia de eternidade é limitada, criando pontos antagônicos.

    Beijos, amiga
    Te adoro, também.

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