Quanto tempo sem passar por aqui!!! Meu Deus, mas que saudade...Aos que suspiram e deliciam-se enquanto escrevem, é perigoso quando as palavras desaparecem da mente e as vozes de dentro calam-se. Mas não é silêncio, é o nada. Como o tempo passou ...arrastando tanta coisa consigo...coisas que se transformaram em poeira, outras foram levadas para algum recinto ainda secreto...e como as verdades mudam!!! Assustam-me. Quando não mudam podem ser esquecidas, deixadas para trás, para sempre. Não que eu goste do que não fica, mas reconheço a necessidade de ter de abandonar o que já não nos cativa; e prende o segundo criando-o e recriando-o, cansado, triste. Fiquei pensando quando é que ainda é verdade. É quando cortamos o dedo, inesperadamente, enquanto descascamos um tomate vermelho, e sangra pouquinho, ficando a cicatriz?
Já perdi malas e malas cheias de 'verdades inquebrantáveis' e não sei nem o motivo por que não as procurei. Perdi e não senti falta. Encontrei outras que também combinavam comigo. Algumas queimei e me livrei das suas cinzas...
Será que a verdade nos encontra ou somos nós quem a encontramos? ´Se o destino existe, então é preciso esperá-la chegar, esperá-la partir. Se tudo a nossa volta é obra do acaso, é preciso ter boas lentes para saber reconhecê-la e relógios que marcam com exatidão as horas, os minutos e os segundos a fim de que não percamos o momento certo para abandoná-la.
Não me torturo mais e nem fico angustiada diante da possibilidade de ter de se refazer 'verossímil'. Entendo que a arte de se existir está justamente nas inúmeras 'recisões' e ' revoluções' que fazemos ao encontrarmos as pedras no meio do caminho. E secretamente, continua-se.
Matei as saudades!!!
Sobre as coisas que eu não falo
Este espaço é livre, tendo como próposito discutir ideias a respeito de qualquer assunto. Não é um diário e nem um blog para ser levado tão a sério, é para divertir e levar a reflexão. Nem sempre as histórias ou relatos são autobiográficos. São apenas escritos desta anônima que gosta de inventar.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
Luz do sol...
Leveza. Que sentimento bom! Às vezes vem, assim, inexplicavelmente, como algumas gotas de chuva em um dia ensolarado, e a promessa do arco-íris. Cor. E do nada, sem nenhum aviso, me pego em dias azuis celeste, brisa esvoaçando meu cabelo, nenhuma dívida, nenhuma preocupação. Apenas uma boa vontade de viver, gratuita, e equilibrada. Dias em que me vejo longe de TPM, longe de qualquer vestígio de culpa por comer mais de um bombom, tranquila e com a certeza de que tudo está no seu devido lugar.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Frases que me inspiraram durante essa semana...
Engraçado como algumas frases, mesmo sendo curtas, conseguem mudar ideias, responder dúvidas e criar novas dúvidas, olhar para a própria existência e transformá-la. Cada dia um pouco.
"A liberdade é assim.Movimentação." ( Guimarães Rosa)
" Aprender a angustiar-se é uma aventura que todos têm de experimentar." ( Kierkegaard)
"Os acontecimentos necessitam de intervalos significativos entre si. Não se devem acumular como se fossem mercadorias medíocres, os acontecimentos não são mercadorias medíocres, são coisas valiosas." ( Gonçalos M.Tavares)
" O que chamam de rugas, eu chamo de raízes - que de seus olhos brotem flores, e sussurros de caules azuis." ( Lauro Henrique Jr.)
"Algo improvável sempre pode acontecer e dar novo sentido à vida - tenha isso em mente" ( Revista Vida Simples -ed. Setembro/2010)
"O amor dá um sentido à vida, mesmo que ele não tenha um grande propósito final" ( idem)
" E eu vou ficar aqui, às escuras, até não sei que hora, até que, morto de fadiga, encoste à cabeça à mesa e descanse uns minutos." ( S. Bernardo, Graciliano Ramos)
sábado, 21 de agosto de 2010
Ressaca
Hoje o mar está de ressaca
e eu não me atrevo a me aproximar
as ondas, espumas brancas;
com toda sua beleza e arrogância,
afundam minha coragem, meu êxito
e eu não me atrevo a me aproximar.
Ele está raivoso, mas é atraente.
A cor suave para os olhos...
mas quem se atreve a se atirar?
No clarão de uma manhã de verão
ninguém tenta se esquivar
e logo se atreve a se atirar.
O mar está de ressaca
as ondas, com ódio, arrancam os pés da areia
e os levam para suas profundezas
sem volta, e sem nenhuma esperança.
Quem se preparou para o adeus?
Quem fez a última confissão?
Ninguém se perdoou, só arriscou
entre elas, sem nenhum pensar,
decidiu, e atirou-se.
Silêncio.
Caminhando pela praia, ainda quase madrugada,
encontrei o que restou,
na calmaria crepuscular.
e eu não me atrevo a me aproximar
as ondas, espumas brancas;
com toda sua beleza e arrogância,
afundam minha coragem, meu êxito
e eu não me atrevo a me aproximar.
Ele está raivoso, mas é atraente.
A cor suave para os olhos...
mas quem se atreve a se atirar?
No clarão de uma manhã de verão
ninguém tenta se esquivar
e logo se atreve a se atirar.
O mar está de ressaca
as ondas, com ódio, arrancam os pés da areia
e os levam para suas profundezas
sem volta, e sem nenhuma esperança.
Quem se preparou para o adeus?
Quem fez a última confissão?
Ninguém se perdoou, só arriscou
entre elas, sem nenhum pensar,
decidiu, e atirou-se.
Silêncio.
Caminhando pela praia, ainda quase madrugada,
encontrei o que restou,
na calmaria crepuscular.
domingo, 8 de agosto de 2010
A IGNORÂNCIA DIANTE DO ERRO
Não há hipocrisia maior do que ignorar as falhas que cometemos ao longo da vida. Falhamos no trabalho, com o namorado (a), com um amigo querido, e com familiares. Erramos no julgamento do outro e no julgamento sobre si mesmo. Erramos porque instintivamente, ou não, só nos conhecemos como seres inconstantes; ora o sucesso, ora o fracasso, não há como saber quando o acaso (ou o destino, para aqueles que nele acreditam) nos pegará de surpresa; pode ser numa manhã ensolarada de segunda feira ou numa chuva fina de sábado.
Se viver é estar cada vez mais perto da morte, que segundo a bíblia é a fatalidade resultante do primeiro erro da humanidade, é ignorância não aceitar os enganos e insucessos cometidos, as pedrinhas e pedregulhos que se misturam na estrada da vida. Aceitar os erros não significa desistir de acertar, significa encará-los com a alma livre de preconceitos influenciados pelo olhar desconfiado de uma sociedade ou de uma cultura. Dessa forma, iniciamos um processo de aprendizagem e passamos a ver uma passagem para um lugar novo, antes desconhecido, com outras oportunidades de se ser o que nunca se esperou outrora .
Há quem pense que depois de tropeçar diante das pedrinhas, e principalmente, dos pedregulhos, está confinado a culpa e ao remorso. Mas, por que se lamentar infinitamente se podemos nos refazer e mudar? Só se permite perder o paraíso quem nunca visitou e construiu residência fixa no país do ‘ quem-sou-eu’. Pior, insistir em algo e não querer enxergar que estamos errando de tanto querer acertar.
Quantas vezes lutamos por algo que já não nos permite sonhar? Quantas vezes fixamos nossa mente na paisagem destruída por queimadas e longos períodos de seca acreditando que ali seja possível plantar e colher flores? E culpamos o mundo, o médico, o vizinho, o livro, o amante por não nos entender, por não nos deixar ser feliz.
A verdade é que não queremos perceber o que desejamos, quem somos e o que queremos fazer com a graça trágica e irônica que é existir. Só o que fazemos é continuar olhando para fora, com a visão embaçada, meio branca, quase cegos; junto com o tempo vão se indo infinitas possibilidades de felicidade, mesmo sabendo que viver é estar a todo instante perto do inferno e do jardim do Éden. Nossas quedas provam as tentativas que fizemos com nossos próprios pés, ideologias, linguagem e raízes. Nossa reerguida evidencia que já não somos mais os mesmos. Depois somos uma outra esperança, uma outra beleza, e um freqüente renascimento.
Se viver é estar cada vez mais perto da morte, que segundo a bíblia é a fatalidade resultante do primeiro erro da humanidade, é ignorância não aceitar os enganos e insucessos cometidos, as pedrinhas e pedregulhos que se misturam na estrada da vida. Aceitar os erros não significa desistir de acertar, significa encará-los com a alma livre de preconceitos influenciados pelo olhar desconfiado de uma sociedade ou de uma cultura. Dessa forma, iniciamos um processo de aprendizagem e passamos a ver uma passagem para um lugar novo, antes desconhecido, com outras oportunidades de se ser o que nunca se esperou outrora .
Há quem pense que depois de tropeçar diante das pedrinhas, e principalmente, dos pedregulhos, está confinado a culpa e ao remorso. Mas, por que se lamentar infinitamente se podemos nos refazer e mudar? Só se permite perder o paraíso quem nunca visitou e construiu residência fixa no país do ‘ quem-sou-eu’. Pior, insistir em algo e não querer enxergar que estamos errando de tanto querer acertar.
Quantas vezes lutamos por algo que já não nos permite sonhar? Quantas vezes fixamos nossa mente na paisagem destruída por queimadas e longos períodos de seca acreditando que ali seja possível plantar e colher flores? E culpamos o mundo, o médico, o vizinho, o livro, o amante por não nos entender, por não nos deixar ser feliz.
A verdade é que não queremos perceber o que desejamos, quem somos e o que queremos fazer com a graça trágica e irônica que é existir. Só o que fazemos é continuar olhando para fora, com a visão embaçada, meio branca, quase cegos; junto com o tempo vão se indo infinitas possibilidades de felicidade, mesmo sabendo que viver é estar a todo instante perto do inferno e do jardim do Éden. Nossas quedas provam as tentativas que fizemos com nossos próprios pés, ideologias, linguagem e raízes. Nossa reerguida evidencia que já não somos mais os mesmos. Depois somos uma outra esperança, uma outra beleza, e um freqüente renascimento.
sábado, 31 de julho de 2010
Você tem medo de que?
Medo de sapos
Medo de Ônibus Lotado
Medo de EscorpiãoMedo da violência
Também Eu Tenho Medo de Injeção
medo de hospital
medo de acidente de Carro
medo de Relógio estragado .
Medo da Balança
Antiga da fotografia
do Salto Quebrado
e de unha Lascada .
Medo do AQUECIMENTO global
de terremoto no Brasil
Geada no Nordeste
Deserto na Amazônia
Medo de gente Hipócrita
torta Política
Verdades Absolutas
filosofia da FIM
E fazer com a VEM medo Que o vento, sussurrando ... Companheiro UM último.
E então, Quais são seus medos ?
terça-feira, 27 de julho de 2010
Do luto à ressurreição
Num instante distraído, num movimento simples, abrupto, de repente; sem nem mesmo desconfiar de alguma conspiração do universo, as circunstâncias rotineiras modificam-se. Como um impactante acidente em que o corpo sai do lugar e assusta-se, as mudanças nos abalam e nos desconstroem . Uma separação amorosa, a notícia de uma doença séria, a perda de um ente querido trazem grandes reflexões sobre nossa existência e nosso estado de humanidade.
Devido a vida agitada atual, esquecemos de que não somos super heróis capazes de enfrentar qualquer situação, seja ela de ordem racional ou emocional. Na anatomia humana não existe um botão 'DELETE' que apague nossas dores, recordações ou sonhos que se quebraram. O que acontece é que quando somos pegos de surpresa por uma mudança ou sofremos uma perda repudiamos o luto, principalmente o público, e o que tentamos fazer, da melhor forma possível, é estarmos "prontos", inteiros, sem sinais vísiveis de tristeza. Então vamos direcionar a maior parte de nossas energias no trabalho, corremos para um curso interessante, entramos em uma academia, tomamos um floral ou, de vez em quando, um inocente anti-depressivo. Colocamos toda nossa angústia e frustração dentro de uma grande "caixa preta", secretamente.
Por causa das atuais e medicinais "fórmulas mágicas" para o alcance da felicidade, passamos a acreditar que não devemos dar espaço para nehuma forma de melancolia ou nostalgia. Resultado: lotamos a caixa preta com nossas mais densas e obscuras emoções até que um dia nos sentimos cansados de carregarmos, sozinhos, fardos tão pesados.
Mas, em algum momento misterioso, descobrimos que diante da mudança existe a passagem para a transformação em direção a um caminho novo. Para seguirmos em frente é preciso nos esvaziarmos, libertar nossas emoções e entregar-se ao próprio eu e deixar-se sentir o que se está sentindo, seja uma imensa dor, seja uma vontade absurdar de gritar até se emudecer.
Penso que não há saídas objetivas para os acontecimentos inesperados e aflitivos que nos perseguem durante a vida. O melhor a fazer é respeitar o próprio tempo de cura , olhando para os novos caminhos que vão surgindo como uma forma de ressurreição.
Devido a vida agitada atual, esquecemos de que não somos super heróis capazes de enfrentar qualquer situação, seja ela de ordem racional ou emocional. Na anatomia humana não existe um botão 'DELETE' que apague nossas dores, recordações ou sonhos que se quebraram. O que acontece é que quando somos pegos de surpresa por uma mudança ou sofremos uma perda repudiamos o luto, principalmente o público, e o que tentamos fazer, da melhor forma possível, é estarmos "prontos", inteiros, sem sinais vísiveis de tristeza. Então vamos direcionar a maior parte de nossas energias no trabalho, corremos para um curso interessante, entramos em uma academia, tomamos um floral ou, de vez em quando, um inocente anti-depressivo. Colocamos toda nossa angústia e frustração dentro de uma grande "caixa preta", secretamente.
Por causa das atuais e medicinais "fórmulas mágicas" para o alcance da felicidade, passamos a acreditar que não devemos dar espaço para nehuma forma de melancolia ou nostalgia. Resultado: lotamos a caixa preta com nossas mais densas e obscuras emoções até que um dia nos sentimos cansados de carregarmos, sozinhos, fardos tão pesados.
Mas, em algum momento misterioso, descobrimos que diante da mudança existe a passagem para a transformação em direção a um caminho novo. Para seguirmos em frente é preciso nos esvaziarmos, libertar nossas emoções e entregar-se ao próprio eu e deixar-se sentir o que se está sentindo, seja uma imensa dor, seja uma vontade absurdar de gritar até se emudecer.
Penso que não há saídas objetivas para os acontecimentos inesperados e aflitivos que nos perseguem durante a vida. O melhor a fazer é respeitar o próprio tempo de cura , olhando para os novos caminhos que vão surgindo como uma forma de ressurreição.
sábado, 24 de julho de 2010
O direito de não saber
Vivemos na era da informação em que é de suma relevância estar atualizado sobre os acontecimentos mundiais e discuti-los , seja com a família , no trabalho ou na internet.Não há como negar que o acúmulo e a propagação de notícias e informação só forma possíveis devido ao avanço tecnológico na área da comunicação.
Descobrimos fatos ocorridos praticamente em tempo real, algumas vezes, sem nem mesmo os tendo procurado. Algumas notícias não nos importunam, umas despertam curiosidades, outras nos ofendem, ferem nosso estado de humanidade.
Os meios de comunicação atuais obrigam-nos a saber o insucesso de um político "famoso", o desaparecimento de uma jovem, o último assassinato mais chocante e horripilante. Temos a necessidade e o direito de realmente conhecermos,e tão profundamente, tantas barbáriese crimes hediondos? Até certo ponto a informação presta seu serviço com perspicácia, mas há também em alguns jornais, progamas de televisão e sites, o mau uso da comunicação diante da perda, da tristeza e da esperança do outro.A dor é transformada em dinheiro e mercado.
Não permito assistir ou ler sobre uma tragédia ou um crime mais de duas vezes. Tenho direito de ainda acreditar numa maioria que ainda conhece e age com valores e respeito ao próximo. A injustiça social e crimes animalescos não podem ser explorados de tantas e tantas maneiras a ponto de não mais sensibilizar seu "interlocutor", que de tanto ser atingindo por um universo de informação " grosseira", pode passar a achar comum e banal tantas notícias ruins acerca dos homens.
Infelizmente, à notícia sensacionalista só importa a desgraça, a estupidez, um fracasso humano. Diante dessas coisas, prefiro sonhar.
Descobrimos fatos ocorridos praticamente em tempo real, algumas vezes, sem nem mesmo os tendo procurado. Algumas notícias não nos importunam, umas despertam curiosidades, outras nos ofendem, ferem nosso estado de humanidade.
Os meios de comunicação atuais obrigam-nos a saber o insucesso de um político "famoso", o desaparecimento de uma jovem, o último assassinato mais chocante e horripilante. Temos a necessidade e o direito de realmente conhecermos,e tão profundamente, tantas barbáriese crimes hediondos? Até certo ponto a informação presta seu serviço com perspicácia, mas há também em alguns jornais, progamas de televisão e sites, o mau uso da comunicação diante da perda, da tristeza e da esperança do outro.A dor é transformada em dinheiro e mercado.
Não permito assistir ou ler sobre uma tragédia ou um crime mais de duas vezes. Tenho direito de ainda acreditar numa maioria que ainda conhece e age com valores e respeito ao próximo. A injustiça social e crimes animalescos não podem ser explorados de tantas e tantas maneiras a ponto de não mais sensibilizar seu "interlocutor", que de tanto ser atingindo por um universo de informação " grosseira", pode passar a achar comum e banal tantas notícias ruins acerca dos homens.
Infelizmente, à notícia sensacionalista só importa a desgraça, a estupidez, um fracasso humano. Diante dessas coisas, prefiro sonhar.
sábado, 17 de julho de 2010
Tempo...tempo..tempo
Muitas saudades daqui. Meu Deus, como o tempo tem me atropelado e me tornado refém dele! Tantas ideias mas está difícil ter um tempinho confortável para parar aqui, derramar minhas angústias e compartilha-lás com gente que também gosta de se "multiplicar" .
Há algumas semanas, eu tinha escrito dois textos, mas infelizmente, graças à minha "super organização", minha mãe jogou fora o rascunho. A culpa não é dela, eu tenho de ser mais organizada mesmo. Enfim, até agosto juro que vou postar algo relevante. Tarefa das férias!
Não só o blog ficou de lado, mas outros "departamentos" da vida também. Quando começamos a tornar sólidos nossos sonhos, certas partes de nós vão se desprendendo, outras se esfarelando, e algumas, poucas, bem poucas,não saem nunca mais.
E eu vou sendo, vou existindo, vou me criando, porque enquanto a vida vai acontendo, as horas vão se indo...
Há algumas semanas, eu tinha escrito dois textos, mas infelizmente, graças à minha "super organização", minha mãe jogou fora o rascunho. A culpa não é dela, eu tenho de ser mais organizada mesmo. Enfim, até agosto juro que vou postar algo relevante. Tarefa das férias!
Não só o blog ficou de lado, mas outros "departamentos" da vida também. Quando começamos a tornar sólidos nossos sonhos, certas partes de nós vão se desprendendo, outras se esfarelando, e algumas, poucas, bem poucas,não saem nunca mais.
E eu vou sendo, vou existindo, vou me criando, porque enquanto a vida vai acontendo, as horas vão se indo...
sábado, 19 de junho de 2010
A hora do cansaço
As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.
Carlos Drummond de Andrade
Quando li esse poema pela primeira vez, eu tinha uns quinze anos. Lia e achava belo, profundo, mas não tinha maturidade suficiente para sentir o gosto de cada palavra tão bem escolhida por Drummond. Tratando de um tema universal, o poeta coloca o homem numa posição egoísta quando deseja ter os que amam por perto eternamente, mesmo sabendo que em uma matutina ou vespertina hora se cansará.
Passados sete anos da primeira vez que o li, algumas perguntas vêm em minha mente:
Por que desejamos inconscientemente ou não tornar tudo que amamos infinito?
Já que nunca provamos sequer o gosto do "para sempre", por que temos tanta dificuldade em aceitar o término da vida?
Apesar de ser um sonho da humanidade, seria a eternidade tediosa?
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nós cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.
Carlos Drummond de Andrade
Quando li esse poema pela primeira vez, eu tinha uns quinze anos. Lia e achava belo, profundo, mas não tinha maturidade suficiente para sentir o gosto de cada palavra tão bem escolhida por Drummond. Tratando de um tema universal, o poeta coloca o homem numa posição egoísta quando deseja ter os que amam por perto eternamente, mesmo sabendo que em uma matutina ou vespertina hora se cansará.
Passados sete anos da primeira vez que o li, algumas perguntas vêm em minha mente:
Por que desejamos inconscientemente ou não tornar tudo que amamos infinito?
Já que nunca provamos sequer o gosto do "para sempre", por que temos tanta dificuldade em aceitar o término da vida?
Apesar de ser um sonho da humanidade, seria a eternidade tediosa?
sábado, 12 de junho de 2010
Por que as loucuras de amor nos enlouquecem?
O que seria uma loucura de amor? Mandar cem buquês de rosas, pular de pára-quedas escrito "eu te amo", cozinhar um prato sofisticado, presentear o amado (ou amada) com uma viagem em um cruzeiro, casar em segredo...? O que seria um loucura de amor? Nos dias de hoje, o amor está associado a tantas "receitinhas" de perfeição que qualquer presente, qualquer demonstração considerada pela sociedade como romântica (incluindo o pedido e um lindo...e pesado anel de noivado), pode fazer pensar que tivemos a sorte de ter ao nosso lado um grande e verdadeiro amor. Doce ilusão...
Eu mesma fui vítima dessa crença. Acreditei que não havia prova maior de amor que firmar um compromisso e subir no altar, fazer os votos, compartilhar a vida... Quando o cupido nos atinge é certeza de que se estar sob feitiço, um encanto possuidor que nos entorpece, vicia, enlouquece. O problema é quando o encanto passa e a consciência retoma seu lugar. É nessa hora que nos damos conta de que amar e ser amado é muito mais do que palavras, cartões, flores, anéis e declarações em público.
Talvez o amor verdadeiro não esteja nas interjeições e nem nos poemas sofridos e delirantes dos românticos. Talvez esteja no silêncio de uma noite fria, num almoço com arroz, feijão, bife e batata frita, numa risada durante um filme piegas, ou numa manhã igual a todas as outras.
Depois de ter sido sua vítima, não acredito mais nas loucuras de amor. Não nas' de amor'. Certamente é ma-ra-vi-lho-so receber e dar presentes, fazer uma surpresa, mas não são símbolos de lealdade, de respeito, de verdade. (se pensarmos bem, numa interpretação mais radical, mais provável que sejam símbolos do capitalismo). Na simplicidade do dia-dia, na padaria, no sofá da salinha de televisão, pode transparecer o que realmente sentimos pelo outro. E é por cada minutinho desses que vale (e muito!) estar com quem se ama.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
A maçã
Voltei-me para aquele instante
e ouvi todos os ruídos
que antes eram mesmo apenas ruídos
e agora eram palavra
Palavra inteira, frase. Discurso.
Não me assustei. Compreendi.
E se o barulho da alma tornara-se decifrável
Eu, muito mais possuída do que possuidora,
tinha agora uma nova razão, um novo poder.
E sem medo podia ouvir meu âmago
beber do doce veneno do ego...
saborear o gosto de minha própria essência...
Dormir...e ter ora sonhos ora pesadelos...
Entretanto, quando se existe
há a controvérsia, o interrogatório.
Não me surpreende o julgamento
o céu e o inferno
o sagrado e o excomungado.
que escolher morder a maçã e ser o que se é
pareceu-me ser o fim de um desconhecimento sobre tudo.
O que para alguns seria a metáfora do pecado
para mim foi apenas a imagem da libertação.
terça-feira, 25 de maio de 2010
O amor e o feminino na saga Crepúsculo: uma breve (e perigosa) análise
Falta um pouco mais de um mês para a estréia do filme Eclipse, terceira parte da saga do livro Crepúsculo, de Stephenie Meyer, e não tenho o menor problema em dizer que estou muitíssimo ansiosa em assistí-lo. Inicialmente, meu interesse por esse mundo fictício e vampiresco se devia apenas aos personagens ma-ra-vi-lho-sos ( quem não poderia deixar de apreciar o incrível Robert Pattinson e não o deixaria sugar um pouquinho de seu sangue?) mas, olhando um pouco mais de perto para a narrativa e para mim mesma – e todas as outras mortais - percebi que há muito mais na saga do que a beleza indiscutível dos seus mortos-vivos.
Mais do que a estética dos personagens, a força do amor impossível (humanos são comida para vampiros por isso ambos não podem ter relações passivas) e a promessa de que todas as barreiras serão quebradas têm encantado as adolescentes e jovens adultas para esse universo. Apesar de já ter sido desmistificada a idéia da existência de um príncipe que salva a princesa à beira da morte e terminam felizes para sempre, percebo que ainda há uma propagação ilusória sobre as relações românticas.
O que Bella sente é tão forte que ela acredita que a única forma de ser feliz é estando ao lado de Edward e só há uma maneira para isso ser possível: transformando-se em vampira, ou seja, entregando-se a morte. Negando sua vida e assim recebendo a maldição de ser uma morta-viva, ( isso implica abandonar família, amigos, e sonhos) a personagem poderá viver para sempre com seu amado. Quanto sacrifício para uma heroína do século XXI! Ora, então o que todas as fãs de Bella querem é que ela dê a sua vida a um vampiro que mesmo tendo a abandonado e lhe causado uma depressão, merece tê-la em seus braços por toda sua existência.
Em meados do século passado, houve várias lutas contra idéias preconceituosas referentes a mulher e seu papel na sociedade tais como o paradigma de que o casamento tem de ser uma instituição blindável e eterna a qualquer preço, a restrição das atividades femininas, sendo a principal ligada à família e ao lar. Felizmente, essas lutas foram vencidas, e hoje a mulher tem um papel atuante na sociedade, é independente e não precisa de um homem para sustentá-la, nem está amarrada a ele para todo o sempre. O que insisto em tentar entender é por que mesmo com toda a mudança do papel da mulher na sociedade e nas suas relações amorosas ainda temos uma heroína jovem cuja vida depende de estar imortal e eternamente ao lado de um vampiro?
Quando lemos um romance ou um texto informativo, formamos uma opinião a respeito do assunto, fazemos julgamentos, destruímos e formulamos novos conceitos que nos tornam quem somos. Mas, depois de ter como heroína a personagem Bella, quem seremos, afinal? Seremos as mulheres da pós-modernidade, livres e bem resolvidas, que esperam pela promessa da paixão arrebatadora, capaz de nos livrar de nossas inseguranças e anseios? Ficaremos a nutrir as deliciosas esperanças da existência de um amor maior que a própria vida e sofrendo por nossas descobertas frustrantes, até quando? Inspirar-se na heroína de Meyer pode ser tão perigoso quanto deixar-se enganar pela ingenuidade ideológica presente na narrativa de Crepúsculo.
Mais do que a estética dos personagens, a força do amor impossível (humanos são comida para vampiros por isso ambos não podem ter relações passivas) e a promessa de que todas as barreiras serão quebradas têm encantado as adolescentes e jovens adultas para esse universo. Apesar de já ter sido desmistificada a idéia da existência de um príncipe que salva a princesa à beira da morte e terminam felizes para sempre, percebo que ainda há uma propagação ilusória sobre as relações românticas.
O que Bella sente é tão forte que ela acredita que a única forma de ser feliz é estando ao lado de Edward e só há uma maneira para isso ser possível: transformando-se em vampira, ou seja, entregando-se a morte. Negando sua vida e assim recebendo a maldição de ser uma morta-viva, ( isso implica abandonar família, amigos, e sonhos) a personagem poderá viver para sempre com seu amado. Quanto sacrifício para uma heroína do século XXI! Ora, então o que todas as fãs de Bella querem é que ela dê a sua vida a um vampiro que mesmo tendo a abandonado e lhe causado uma depressão, merece tê-la em seus braços por toda sua existência.
Em meados do século passado, houve várias lutas contra idéias preconceituosas referentes a mulher e seu papel na sociedade tais como o paradigma de que o casamento tem de ser uma instituição blindável e eterna a qualquer preço, a restrição das atividades femininas, sendo a principal ligada à família e ao lar. Felizmente, essas lutas foram vencidas, e hoje a mulher tem um papel atuante na sociedade, é independente e não precisa de um homem para sustentá-la, nem está amarrada a ele para todo o sempre. O que insisto em tentar entender é por que mesmo com toda a mudança do papel da mulher na sociedade e nas suas relações amorosas ainda temos uma heroína jovem cuja vida depende de estar imortal e eternamente ao lado de um vampiro?
Quando lemos um romance ou um texto informativo, formamos uma opinião a respeito do assunto, fazemos julgamentos, destruímos e formulamos novos conceitos que nos tornam quem somos. Mas, depois de ter como heroína a personagem Bella, quem seremos, afinal? Seremos as mulheres da pós-modernidade, livres e bem resolvidas, que esperam pela promessa da paixão arrebatadora, capaz de nos livrar de nossas inseguranças e anseios? Ficaremos a nutrir as deliciosas esperanças da existência de um amor maior que a própria vida e sofrendo por nossas descobertas frustrantes, até quando? Inspirar-se na heroína de Meyer pode ser tão perigoso quanto deixar-se enganar pela ingenuidade ideológica presente na narrativa de Crepúsculo.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
A Alice da fábula e as inúmeras alices que estão por aí...
Assiti semana passada ao filme "Alice no país das maravilhas" e simplesmente a-do-rei! Inicialmente devido ao cenário fantástico e um pouco gótico, que faz qualquer um viajar nas roupas, maquiagem, paisagens...um mundo novo. Enquanto eu vibrava com todo aquele cenário que tece a narrativa, me deparei com a própria narrativa., a história da Alice e suas ações diante daquele mundo maravilhoso. Um mundo em que se pode ser pequena e grande, onde coelhos cozinham, falam e ainda, podem ser loucos, uma rainha age puramente por egoísmo, e seus sentimentos passionais... um mundo que, assim como o que chamamos de "real", tem sua face boa e ruim, e que precisa de um herói para se tornar uma terra mais justa e feliz.
Dessa vez, o herói é a heroína, Alice, uma jovem que foge ao ter de tomar uma decisão que mudaria a sua vida e a vida de sua família. Não muito diferente, no mundo das maravilhas Alice terá de tomar uma nova decisão que poderá salvar a vida dos habitantes do mundo subterraneo e a sua própria. Não vou contar todo o filme para aqueles que desejam assistí-lo, o que eu fiquei me perguntando ao sair do cinema é por que assim como a heróina de Carrols, nós, mulheres, temos medo de tomar decisões importantes diante do estranho, ou de algum fato que põe toda ordem do nosso cotidiano em questionamento?
Típico da mulher que tem medo da mudança e de ser heróina da sua própria história. Essa mulher sonha com um mundo menos desigual, menos machista, menos intolerante. Pura verdade é que apesar das mulheres terem alcançado um papel ativo na sociedade, a mulher (falo em especial da mulher brasileira) ainda se encontra em um patamar abaixo do homem. Sem falar, que principalmente a mulher brasileira ainda sofre abusos (de todas as espécies, não só físico, como psicológico) por parte de homens que acreditam estar cumprindo seus respectivos "papéis". Às inúmeras Alices que estão por aí digo que só há uma saída para nós, mulheres: matar o dragão e beber do seu sangue.
Dessa vez, o herói é a heroína, Alice, uma jovem que foge ao ter de tomar uma decisão que mudaria a sua vida e a vida de sua família. Não muito diferente, no mundo das maravilhas Alice terá de tomar uma nova decisão que poderá salvar a vida dos habitantes do mundo subterraneo e a sua própria. Não vou contar todo o filme para aqueles que desejam assistí-lo, o que eu fiquei me perguntando ao sair do cinema é por que assim como a heróina de Carrols, nós, mulheres, temos medo de tomar decisões importantes diante do estranho, ou de algum fato que põe toda ordem do nosso cotidiano em questionamento?
Típico da mulher que tem medo da mudança e de ser heróina da sua própria história. Essa mulher sonha com um mundo menos desigual, menos machista, menos intolerante. Pura verdade é que apesar das mulheres terem alcançado um papel ativo na sociedade, a mulher (falo em especial da mulher brasileira) ainda se encontra em um patamar abaixo do homem. Sem falar, que principalmente a mulher brasileira ainda sofre abusos (de todas as espécies, não só físico, como psicológico) por parte de homens que acreditam estar cumprindo seus respectivos "papéis". Às inúmeras Alices que estão por aí digo que só há uma saída para nós, mulheres: matar o dragão e beber do seu sangue.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
A menina e o mar
“Não consigo. Tenho medo.”
“Não precisa ter medo. Confia em mim.”
E o homem lançou a mão para a garotinha que tremia diante das ondas do mar, ainda pequenas comparadas as que viriam durante a vida. Deu uns pulinhos, alguns murmurinhos, no entanto, a voz do pai a acalmava, sabia que se algo a acontecesse, ter-lhe-ia para ajudá-la. Quando sentia medo, também sentia uma imensa alegria e era a vontade de vencer àquele mundo de água salgada que a tornaria uma pessoa diferente. Não deve ser difícil, pensou, meu pai está tão pertinho de mim...Preste a segurar firmemente a mão protetora do pai, veio uma ondinha, dessas que fazem a gente se desequilibrar um pouco. A menina engoliu um pouco de água e se assustou. O pai riu e logo a suspendeu. Ela chorou. Chorou. Chorou de soluçar.
Imediatamente quis sair daquele mundo inatingível. O pai pegou as suas mãozinhas e a afastou daquele universo que ela sonhara desbravar. O choro parou mas o sal continuava na sua pele, agarrado. Era o que ela podia ganhar pela sua ousadia. Desconfiada do pai balbuciava a frase que ele lhe havia dito. “Ele disse para não ter medo!” Não entendeu por que mesmo confiando e segurando firme em suas mãos, o pai não havia conseguido evitar que as ondas a atingissem. Se seu pai não podia afastá-la do perigo das ondas, quem poderia? Sentiu uma dorzinha no coração e uma frustração, mas logo quando estava na areia, com os raios do sol batendo nos seus cabelos cor de mel, e olhou toda aquela água imensa que parecia não acabar nunca, viu que ninguém poderia mesmo protegê-la. Mordeu o lábio inferior e soltou um suspiro, depois começou a fazer um castelinho na areia, já despreocupada, feliz por não precisar de ninguém para ajudá-la a construí-lo. Mas, certa hora da tarde, o mar fica mais cheio, e a menina começou a perceber que aquele lugar seria levado pelas ondas também. As águas invadiram o seu castelo, mas dessa vez ela não teve medo. Olhou e sorriu, levemente. Desde então ela soube que estaria sempre exposta a outras ondas, algumas pequenas outras maiores, e que quando elas têm de vir, nem pai nem castelos são capazes de evitá-las.
E longe do mar ela nunca mais esteve .
“Não precisa ter medo. Confia em mim.”
E o homem lançou a mão para a garotinha que tremia diante das ondas do mar, ainda pequenas comparadas as que viriam durante a vida. Deu uns pulinhos, alguns murmurinhos, no entanto, a voz do pai a acalmava, sabia que se algo a acontecesse, ter-lhe-ia para ajudá-la. Quando sentia medo, também sentia uma imensa alegria e era a vontade de vencer àquele mundo de água salgada que a tornaria uma pessoa diferente. Não deve ser difícil, pensou, meu pai está tão pertinho de mim...Preste a segurar firmemente a mão protetora do pai, veio uma ondinha, dessas que fazem a gente se desequilibrar um pouco. A menina engoliu um pouco de água e se assustou. O pai riu e logo a suspendeu. Ela chorou. Chorou. Chorou de soluçar.
Imediatamente quis sair daquele mundo inatingível. O pai pegou as suas mãozinhas e a afastou daquele universo que ela sonhara desbravar. O choro parou mas o sal continuava na sua pele, agarrado. Era o que ela podia ganhar pela sua ousadia. Desconfiada do pai balbuciava a frase que ele lhe havia dito. “Ele disse para não ter medo!” Não entendeu por que mesmo confiando e segurando firme em suas mãos, o pai não havia conseguido evitar que as ondas a atingissem. Se seu pai não podia afastá-la do perigo das ondas, quem poderia? Sentiu uma dorzinha no coração e uma frustração, mas logo quando estava na areia, com os raios do sol batendo nos seus cabelos cor de mel, e olhou toda aquela água imensa que parecia não acabar nunca, viu que ninguém poderia mesmo protegê-la. Mordeu o lábio inferior e soltou um suspiro, depois começou a fazer um castelinho na areia, já despreocupada, feliz por não precisar de ninguém para ajudá-la a construí-lo. Mas, certa hora da tarde, o mar fica mais cheio, e a menina começou a perceber que aquele lugar seria levado pelas ondas também. As águas invadiram o seu castelo, mas dessa vez ela não teve medo. Olhou e sorriu, levemente. Desde então ela soube que estaria sempre exposta a outras ondas, algumas pequenas outras maiores, e que quando elas têm de vir, nem pai nem castelos são capazes de evitá-las.
E longe do mar ela nunca mais esteve .
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Estórias, personagens e fotografias
De vez em quando abro uma caixa onde guardo fotos, diários, folhas, cartas, esperanças, decepções...coisas que no momento da raiva deram sorte de não terem sido enviadas ao lixo. Fazia bastante tempo que não abria a caixa da memória. Surpreendeu-me dessa vez. Olhei para algumas fotografias e foi muito estranha a sensação que senti.Cada detalhe era uma experiência única, que seria tão importante para a vida como eu nunca imaginara que fosse possível ser. Cada detalhe estava registrado na cor da roupa, no sorriso, nos olhos, nos gestos, na inclinação do corpo, na imagem de fundo. É o tempo parado, imóvel, preso em um papel.
Quando eu vi as pessoas, os sorrisos e todo o contexto que havia por trás daquela foto, tentei reviver aquela cena, lembrar do que aconteceu enquanto nós ríamos alto, enquanto eu estava ali. As pessoas que nós éramos aquele dia...E me assustei. A garota da fotografia não existia mais. Senti pena deles por não terem sequer desconfiado de nada. Eles não sabiam que a vida é um conjunto de fragmentos, pedaços de histórias diferentes, impossíveis de serem coladas... é um instante após um outro instante...
Ao olhar as fotos e ler a estória daquela história, sou obrigada a perceber que somos um pouco personagens diante da narrativa que vamos construindo ao longo de nossas vidas...no instante presente não somos capazes de enxergar os fatos verdadeiros, as emoções explodindo, as nossas falhas, os pecados dos que são amados por nós, a real beleza e a feiúra das horas. Então tiramos fotos, escrevemos diários... para mais tarde, depois de ter matado toda aquela narrativa, admirarmos aquela vida com todas as suas mazelas e maravilhas, com todas as rachaduras que trincavam aquela felicidade. Talvez o prazer de se guardar um momento para sempre em papel esteja justamente na possibilidade de ver e reviver uma história encerrada e distante da que estamos no momento escrevendo. E o melhor de tudo é olhá-la e enxergar que já somos outros, estamos representando outro papel e então, não resta a menor dúvida de que estamos verdadeiramente vivos.
Quando eu vi as pessoas, os sorrisos e todo o contexto que havia por trás daquela foto, tentei reviver aquela cena, lembrar do que aconteceu enquanto nós ríamos alto, enquanto eu estava ali. As pessoas que nós éramos aquele dia...E me assustei. A garota da fotografia não existia mais. Senti pena deles por não terem sequer desconfiado de nada. Eles não sabiam que a vida é um conjunto de fragmentos, pedaços de histórias diferentes, impossíveis de serem coladas... é um instante após um outro instante...
Ao olhar as fotos e ler a estória daquela história, sou obrigada a perceber que somos um pouco personagens diante da narrativa que vamos construindo ao longo de nossas vidas...no instante presente não somos capazes de enxergar os fatos verdadeiros, as emoções explodindo, as nossas falhas, os pecados dos que são amados por nós, a real beleza e a feiúra das horas. Então tiramos fotos, escrevemos diários... para mais tarde, depois de ter matado toda aquela narrativa, admirarmos aquela vida com todas as suas mazelas e maravilhas, com todas as rachaduras que trincavam aquela felicidade. Talvez o prazer de se guardar um momento para sempre em papel esteja justamente na possibilidade de ver e reviver uma história encerrada e distante da que estamos no momento escrevendo. E o melhor de tudo é olhá-la e enxergar que já somos outros, estamos representando outro papel e então, não resta a menor dúvida de que estamos verdadeiramente vivos.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
O que você está fazendo agora
Se eu disser que eu já sabia, você acredita
Não sei porque eu já pressentia
sua transpiração, sua alucinação, seu tédio
Não é engraçado quando você pretende estar em lugar algum
Não é interessante quando você deseja ser indiferente
Então, você faz com que fique fácil
E usa seu disfarce contra a dor
seu disfarce contra o amor
Já te disseram que todos erram
até aqueles que pareciam amar verdadeiramente tudo
e que sob a luz refletem a mais pura inocência
Mas contra a frustração há um ótimo remédio
e você o toma todos os dias...
gole a gole...até esquecer...
Agora é outono
Você sente frio...
Mas, o que importa
Você morde o lábio....
continua seu jogo
e pensa o que hoje você vai fazer.
Não sei porque eu já pressentia
sua transpiração, sua alucinação, seu tédio
Não é engraçado quando você pretende estar em lugar algum
Não é interessante quando você deseja ser indiferente
Então, você faz com que fique fácil
E usa seu disfarce contra a dor
seu disfarce contra o amor
Já te disseram que todos erram
até aqueles que pareciam amar verdadeiramente tudo
e que sob a luz refletem a mais pura inocência
Mas contra a frustração há um ótimo remédio
e você o toma todos os dias...
gole a gole...até esquecer...
Agora é outono
Você sente frio...
Mas, o que importa
Você morde o lábio....
continua seu jogo
e pensa o que hoje você vai fazer.
sábado, 27 de março de 2010
uma pausa...
Admito, tenho uma certa paixão por advérbios de intensidade, superlativos, redundâncias e até alguns vícios de linguagem. Nem sempre eles são cansativos, na maioria das vezes, para mim, eles só enfatizam uma emoção que por si só não diz muita coisa. Eis alguns recursos perfeitos para ludibriar e para sensibilizar o querido interlocutor...intencionalmente!
segunda-feira, 22 de março de 2010
Um Gato
Não fazia idéia por que estava tão triste. Chovia há algumas horas, aquela chuva bem fininha. Seus pais haviam viajado há uns três dias e só voltariam na próxima semana. Não pôde ir por causa do trabalho e porque queria descansar um pouco, em paz, sozinha. O problema é que se esquecera que havia a tarde de domingo. Já havia feito todos os afazeres da casa, almoçado, conversado a toa na internet, respondido seus emails, escutado música e assistido à TV. Surpreendeu-se com o nada que habitava a casa. Silêncio. Ainda sentada no sofá, seus pensamentos a levaram para um lugar distante, e não tão desconhecido por ela, onde estavam todos os anseios, as vontades, suas decepções e seus pesadelos. Não fazia idéia por que estava tão triste.
Resolveu andar um pouco. Andar é bom, pensou. Vestiu um casaco jeans que combinava perfeitamente com sua camiseta branca e calça, também jeans, e pegou seu gurda-chuva e decidiu ir à padaria comprar uns chocolates. A padaria não era longe e logo voltaria para seu tédio profundo. Faltando apenas uns dez passos para chegar em casa novamente, ouviu um barulho. Não prestou muita atenção. Ouviu-o novamente, era um barulhinho que vinha do outro lado da rua. Olhou mais atenta e viu uma caixa. Andou até ela e o barulho era parecido com um miado, ficando mais alto. A caixa estava bem úmida e aberta, quando chegou bem perto viu que era um gato que estava tremendo de frio e molhado. Sentiu uma peninha dele...pegou-lhe e o levou para sua casa.
A tarde já não estava mais tão cinzenta. Ela secou o gato com um secador de cabelos. O gato era bastante peludo, seus pêlos eram acinzentados e seus olhos eram de um azul profundo. Ele parecia ainda ser novo, não era um gato adulto, devia ter uns quatro meses de idade. Enquanto o chamava de “gatinho bonitinho” observou que uma de suas patinhas estava machucada, escorrendo um pouco de sangue. Após secá-lo, cuidou do ferimento, deu-lhe água e um pouco de ração do cachorro misturada com leite. O felino comeu em desespero, devia estar com muita fome. Coitadinho!...
Decidiu voltar a assistir televisão e levou o gato também. Enquanto assistia a um programa de humor bem sem graça, acariciava o gato com tanta ternura e amor. O animal parecia ter roubado sua angustia que até uma hora atrás era a sua única companhia de domingo. Agora estava sendo tomada por um sentimento novo, que não lhe pedia nada em troca, não lhe censurava, apenas existia. Com o coração distraído e como uma canção de ninar, o constante barulhinho de chuva fina lhe deu uma preguicinha. Desligou a tv e adormeceu no sofá, com o gatinho ao seu lado, que parecia estar grato pela afeição e pelos cuidados oferecidos por ela. Dormiu como uma criança.
Alguma coisa fez barulho na cozinha e a acordou. Pensou em quanto tempo devia ter dormido, já estava um pouco escuro, e provavelmente eram mais de seis horas da tarde. A chuva tinha estiado. Levantou-se e foi ver o que tinha acontecido, talvez alguém poderia estar tentando arrombar a porta. Por um segundo, esquecera que havia mais um ser na mesma casa, mas, simultaneamente, lembrou-se que quando dormiu, o gato estava ao seu lado, velando seu sono, mas parecia que ele não estava mais quando ela acordou.
A sacola com os chocolates estava no chão, rasgada e comida, o tapete tinha uma poça amarela e cheirava a urina, a comida que estava num potinho no canto da área de serviço, estava toda esparramada, e por fim, o bichano havia desaparecido. Chamou-lhe, chamou-lhe ,pixiuiuuuuuu, “gatinhooo”...e nada. Decidiu miar, “miau” “miau”... nada. Desistiu de procurá-lo e foi limpar a bagunça que o animal havia feito. Enquanto limpava o tapete, viu algo correndo, saindo de trás das cortinas. Foi atrás dele, e quando pegou-lhe no colo, o gato lhe deu uma mordida na sua mão esquerda e pulou, correndo para o outro cômodo. Conseguiu alcançá-lo e novamente, pegou-lhe no colo, e o gato mordeu-lhe, fincando os dentinhos um pouco mais forte do que na primeira mordida. Mas que ingrato! gritou. Ficaram duas marquinhas e um pouquinho de sangue apareceu na sua mão.
Aquela ternura e aquele amor se transformaram em desconfiança e ódio. Já não lhe amava mais nem o queria mais. Não era verdadeiro, era só mais uma forma que usavam para lhe enganar, pois lhe enganar não era difícil, e nem tampouco exigente demais, dando-lhe algum poder já era o suficiente para que ela se considerasse pronta para sentir, para cuidar, para ser ela mesma. Sentiu-se má, entretanto, era hora de fazer o que devia ser feito, para seu próprio bem, pois no final, seu amor próprio a vencia e seu orgulho se tornava uma garrafa de vinho bastante atraente, que já estava a algum tempo ou anos apenas a esperando decidir quando iria tomá-la. Sentiu uma sede de cão e bebeu toda a garrafa. Pegou o gato de uma maneira rude e sem falar uma única palavra, deixou-lhe no mesmo lugar que o encontrara há algumas horas atrás. Ele ficou parado apenas a olhando, mas seus olhos azuis não despertaram nenhum sentimento de bondade, e como se por instinto ele pudesse perceber que ela não mais o perdoaria, o jovem gato seguiu para o fim da rua e desapareceu.
Um mês depois, enquanto dirigia quase atropelou um gato que cruzara seu caminho. Assustada, não quis parar o carro, mas olhou através do retrovisor se o gato havia se levantado ou se ela o tinha deixado a beira da morte. Não viu nada no retrovisor, o gato já tinha ido embora. Com um olhar perigoso balbuciou:
- “Gatos têm sete vidas”...
Inimiga, amiga
De uns tempos para cá, não sou contra a solidão. Quando era adolescente, a odiava. Era minha maior inimiga, não a entendia e achava que eu era azarenta por tê-la comigo quase que constantemente. Pensava que quando eu estava triste, ela era a culpada, quando eu ficava sozinha em um sábado, ela era minha maldição eterna, quando eu sentia um nó imenso na garganta, olhava para ela ao meu lado e a via vestida , toda poderosa, em um vestido longo e preto.
Hoje a solidão tornou-se minha amiga, daquelas que estão sempre por perto mas que também sabem a hora de ir embora. Com ela aprendi que há momentos em que é necessário calar-se, ouvir somente a própria voz e refletir sob a sombra da vida para que haja constante mudança e aprendizado. Através dela aprendi a gostar mais de mim e a aceitar que a vida é um conjunto de momentos surpreendentemente bons e ruins. É verdade que quando ela reaparece, volta um pouco mais fria e mais silenciosa, mas não me assusto mais. Aproveito ao máximo sua visita. Quando já me sinto renovada e sem conflitos, ela parte, deixando apenas um até mais. Não expresso emoção nenhuma, apenas a respondo:
- Até.
Fobia
O ônibus estava lotado. Minhas mãos estavam cheias de cadernos, livros e uma agenda onde registro alguns dos meus pensamentos. O ar estava abafado. Eu e mais umas dez pessoas estávamos em pé, todos os lugares já estavam ocupados. Mal conseguia me equilibrar, e ninguém se quer se ofereceu para segurar minhas coisas. Tinha de fazer tudo sozinha: com uma mão carregava minhas coisas, com a outra me apoiava para não empurrar o indivíduo que estava do meu lado, e ainda, firmar meu corpo o máximo possível para não ficar sacolejando dento do veículo.
Tinha acabado de sair do trabalho, estava exausta, com uma vontade desesperada de chegar em casa, atirar todo aquele material em cima da mesa, beber um copo de água, sentar no sofá e assistir TV, mas estava em um ônibus apertado, sendo esmagada por pessoas que eu nunca vira antes, e sendo vítima da indelicadeza daquele que me levaria até meu destino. Sentia falta de ar. Tentava não pensar muito sobre como ainda eu estava longe do meu mais delicioso desejo momentâneo, quanto mais eu pensasse mais parecia estar distante de mim.
Eu precisava respirar... eu precisava muito descer no meu ponto o mais rápido possível. Fiquei muito angustiada. Você precisa de um carro, disse a voz do meu consciente. É, eu preciso.
Uma senhora que estava sentada na minha frente não parecia tão angustiada como eu. Ela estava serena. Um homem não parava de falar no celular... falava e falava, parecia que estava pedindo a alguém para lhe esperar. Uma garotinha dormia no colo da mãe. Um grupo de adolescentes fofocava sobre um outro colega. Uma mulher ouvia música no seu mp3. Parecia que só eu estava afobada, em um quase surto neurótico.
Começou a chover. Para piorar mais a minha situação, fecharam todas as janelas. Os vidros molhados, o som do motor, as vozes ruidosas, o barulho da chuva... minha cabeça ia explodir, até que quando achei que não agüentaria mais chegou o meu ponto de descida. Saí como quem se despede do hospício, e me senti mal por pensar assim. Esqueci o guarda-chuva, como sempre. Cheguei em casa ensopada. Gritei dando boas vindas a mim mesma assim que abri a porta da sala. Ali estava a vida segura que eu esperava. Respirei, aliviada.
Tinha acabado de sair do trabalho, estava exausta, com uma vontade desesperada de chegar em casa, atirar todo aquele material em cima da mesa, beber um copo de água, sentar no sofá e assistir TV, mas estava em um ônibus apertado, sendo esmagada por pessoas que eu nunca vira antes, e sendo vítima da indelicadeza daquele que me levaria até meu destino. Sentia falta de ar. Tentava não pensar muito sobre como ainda eu estava longe do meu mais delicioso desejo momentâneo, quanto mais eu pensasse mais parecia estar distante de mim.
Eu precisava respirar... eu precisava muito descer no meu ponto o mais rápido possível. Fiquei muito angustiada. Você precisa de um carro, disse a voz do meu consciente. É, eu preciso.
Uma senhora que estava sentada na minha frente não parecia tão angustiada como eu. Ela estava serena. Um homem não parava de falar no celular... falava e falava, parecia que estava pedindo a alguém para lhe esperar. Uma garotinha dormia no colo da mãe. Um grupo de adolescentes fofocava sobre um outro colega. Uma mulher ouvia música no seu mp3. Parecia que só eu estava afobada, em um quase surto neurótico.
Começou a chover. Para piorar mais a minha situação, fecharam todas as janelas. Os vidros molhados, o som do motor, as vozes ruidosas, o barulho da chuva... minha cabeça ia explodir, até que quando achei que não agüentaria mais chegou o meu ponto de descida. Saí como quem se despede do hospício, e me senti mal por pensar assim. Esqueci o guarda-chuva, como sempre. Cheguei em casa ensopada. Gritei dando boas vindas a mim mesma assim que abri a porta da sala. Ali estava a vida segura que eu esperava. Respirei, aliviada.
terça-feira, 16 de março de 2010
Bijuteria

Numa tarde de verão, em algum lugar que já não me recordo bem, estava eu sentada em um banquinho de madeira, desses que já estão descascando tinta verde. Fossem Talvez três horas da tarde, e se pudesse ouvir o tic tac do relógio me sentiría surpresa, pois as enguias combinariam perfeitamente com o tum tum tum do meu jovem coração. Não me lembro de algum estar com minhas mãos em livro. O calor aumentou enquanto eu pensava o quanto estava apaixonada. Alguém se aproximava de mim. Era ele. De alguma forma minha cabeça girou para sua direção. Atravessando uma faixa de pedestre vi-o. Baixei a cabeça como senão o tivesse visto e olhei para as minhas unhas. Elas tão Rocinhas Estavam ... e fingi estar surpresa com uma aparição sua. Beijei-lhe a boca. Sorri. Falei que senti saudades. Passei a mão direita sobre o cabelo. Olhei-o nos olhos.
Em alguns instantes, nosso encontro tedioso poderia ficar e aquele silêncio poderia ser perturbador, mas logo ele contava algo engraçado e desfazia-me em risos. Não poderia ser chata. De repente, flagrei uma enorme tristeza ao meu lado. Não, não ... está errado ... comecei a pensar. Um gato miou baixinho embaixo do banco de onde estávamos sentados. Sai daqui, gato!. O gato saiu delicadamente.
Silêncio. Ele colocou as mãos sem bolso da calça jeans e tirou uma caixinha de loja de bijuterias. Estava lá: uma pulseira com pedrinhas brancas. O gato fóruns embora e mandei a tristeza ir também. Ela foi obrigada a se retirar. Foi pelos cantos, ainda me espreitando. Ah! Que momento glorioso, sublime. Sorri. Olhei-o nos olhos. Beijei-lhe a boca. Pus uma pulseira. Alisei-a. Ele baixou os olhos. Sorriu. Sua face avermelhou-se. Agradeci.
Semana passada, enquanto procurava desesperadamente o manual da impressora nova, encontrei um tal pulseira de pedrinhas brancas dentro de uma caixinha escondida no fundo de uma gaveta do escritório. Algumas pedrinhas haviam descolado da pulseira, outras já não eram mais tão branquinhas, meio azuladas Estavam obviamente diamantes porque não eram. Já não brilhavam mais como antes. Guardei uma pulseira na caixinha novamente e joguei no lixo do banheiro. Afinal, era só bijuteria.
terça-feira, 9 de março de 2010
O final
Tudo se cala
Tudo se esvazia
De repente. Sem motivo aparente. Sem porquês. Sem razão.
Apenas é.
Acontece.
De repente.
Parou.
Perdeu movimento.
Silenciou-se.
Mas foi tão rápido ...
Ninguém percebeu
Uma hora ninguém viu.
Não mais Ruiu
Não mudou mais
Mais Continuou Não
Zerou.
Agora Saudade.
Agora Tristeza.
Agora Dor.
Tudo Misturado
Tudo porque acabou.
Depois Indiferença
Depois Novo Dia
Depois Alegria
Depois vem amor.
Tudo se esvazia
De repente. Sem motivo aparente. Sem porquês. Sem razão.
Apenas é.
Acontece.
De repente.
Parou.
Perdeu movimento.
Silenciou-se.
Mas foi tão rápido ...
Ninguém percebeu
Uma hora ninguém viu.
Não mais Ruiu
Não mudou mais
Mais Continuou Não
Zerou.
Agora Saudade.
Agora Tristeza.
Agora Dor.
Tudo Misturado
Tudo porque acabou.
Depois Indiferença
Depois Novo Dia
Depois Alegria
Depois vem amor.
O Desconhecido
Era o silêncio da culpa que exalava odor de seu triste pelas paredes da sala de espera de um hospital público no Rio de Janeiro. Eu o sentia e também sentia vergonha de mim mesma por deixar-me assustar com o sofrimento do próximo a ponto de querer gritar.
Uma jovem mulher folheava tranquilamente uma revista de fofocas, a outra falava ao celular um alguém informando que chegaria lá pelas dezessete horas da tarde, de modo objetivo e rápido. Uma senhora, com olhos pequenos e tristes, me espreitava, ansiosa para ser atendida o mais cedo possivel. Cada uma dessas mulheres com suas histórias, com seus sucessos, suas perdas, suas mágoas, estava em busca do controle e da cura de seu câncer repleta e eu estava entre elas acompanhando uma tia minha que também fora despedaçada pela doença.
Aos poucos foram desaparecendo os ruídos e surpreendeu-me o silêncio. Era tão profundo que se ouviam todos os apelos, todos os sonhos se rompendo, todos os medos se aflorando. Como lhes corroendo dúvidas, como os cupins que estão comendo lentamente as portas de minha casa. Alguém chorou demais, demais Brigou alguém, alguém Trabalhou demais. Alguém parou de sorrir, alguém parou de olhar, alguém parou de brincar. Alguém reclamou da vida antes que a vida estivesse posta em risco. Alguém não se achava bom o bastante para ser feliz. E agora, tudo o que se quer é a mesma vida que se foi reclamada, e algumas vezes, talvez, pisoteada propositalmente.
Eu visitava um país desconhecido por mim e eu até então parecia ser uma estrangeira Diante de uma cultura diferente e de todas as suas adversidades: impressionada arregalei os olhos, e ficou muito claro para quem me observava que eu nunca havia estado em um lugar como aquele . Eu estava assustada mesmo.
O câncer deixa rastros visíveis, muitas das vezes É Necessário retirar o órgão doente. Mas, não foram esses "rastros" que me impressionaram, mas foi aquele silêncio que começou uma Tornar-se uma invasão.
Levantei-me e fui para o corredor, tomar um café. Comecei a entender que o que estava sentido era não somente uma aspereza do silêncio entre aquelas pessoas era mas a culpa de não saber se suportaria a dor dessa mazela tão enfurecida e destruidora dentro de mim.
Quando retornei a sala de espera o silêncio não estava mais Naquelas paredes descascadas. Algumas pessoas atendidas Sido haviam já, algumas conversavam. Não estava mais assustada. Percebi que o silêncio mudara de lugar: agora ele estava era em mim.
Instruções para não chorar
1) Quando o sentimento de insatisfação e infelicidade vier a garganta ea boca tremer, logo beba bastante água até a secura passar. Se a água não for suficiente, procure um bar mais Imediatamente Próximo.
2) Em alguns casos, a vontade de chorar se manifesta minutos antes de ir dormir. Para evitá-la, sufoque o rosto contra o travesseiro e lembre-se que, caso você seja vencida pelo choro noturno, todos com quem você encontrar no outro dia ficarão comentando Se Você sempre teve essa "cara amassada" mesmo ou se apenas não dormiu Direito. ATENÇÃO: O uso do travesseiro um fim de aliviar o choro é contra-indicado para pessoas alérgicas, asmáticas e suicidas.
3) Se uma decorrência de querer estar aos prantos se DEVE A descoberta de uma traição, dê uma olhadinha à sua consola e volta-se ao saber que você não é o único (a). Aproveite uma descoberta para repensar em como os valores morais do mundo estão se definhando eo quanto Você deseja o bem para uma pessoa que te trocou por outra. Segundo os cientistas, guardar rancor diminui a expectativa de vida.
4) Nada na vida é para sempre. Não se desespere ao perceber que você ganhou uns quilinhos extras e não é mais o último biscoito do pacote. Provavelmente você tem muitos conhecidos que eram invejados por seus corpos e rostos espetaculares e agora barrigudinhos são seres humanos e felizes. Procure ver quantas qualidades te fazem ser uma pessoa especial e atraente mesmo com alguns quilos uma constando mais na balança.
5) Se o seu patrão disser que você está demitido do cargo não qual você batalhou tanto para ter, não se sinta incompetente. Aquele emprego não era mesmo para você. Tantas horas extras Estavam tomando todo o seu tempo e não final, o salário não era o quanto você merecia. Avalie seus projetos e dedique-se a coisas novas, como por exemplo, assistir ao final da novela das oito com a família.
6) O carro ma-ra-vi-lho-so que você comprou ontem, infelizmente, não Possui um guia de Previsão de futuros assaltos. Vivemos num país onde é gritante desigualdade uma e quando se tem um carro você está colaborando para o Aumento do índice de desigualdade na nossa sociedade. Nessa situação fique tranquilo e torça para que todos os brasileiros POSSAM ter a mesma condição financeira que você.
7) Ninguém é perfeito. Ainda está com vontade de chorar? Grite durante dez minutos e faça 100 abdominais. Exercícios físicos equilibram o corpo ea mente e Aumentam o nível de Seretonina.
8) Seus olhos estão ficando vermelhos e se inchando? Respire fundo e se imaginar numa praia paradisíaca, com tudo que sempre sonhou e muita, muita grana no bolso.
9) Uma lágrima está escorrendo? Não ... Três agora são duas, .. Puxa, você perdeu o controle. Uma pena! Era sua chance de provar a si mesmo o quanto você é forte e dono de suas emoções Próprias! Tente, da próxima vez, ler uma fábula em voz alta e dormir em seguida. Quando acordar pode Esteja Que Ser Você no mundo das maravilhas.
Observação: O uso contínuo dessas Instruções pode causar distúrbios nocivos como esquizofrenia, Insensibilidade atemporal e perda de características peculiares de Seres Humanos.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
..."A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia. Não é.Esconde-se poder captar o próprio segredo. Seu quase-não -perfume é glória abafada mas exige que a gente busque. Não grita nunca seu perfume. Violeta diz levezas que não se pode dizer." ( Clarice Lispector - Água Viva)
Assinar:
Comentários (Atom)








