Sobre as coisas que eu não falo



Este espaço é livre, tendo como próposito discutir ideias a respeito de qualquer assunto. Não é um diário e nem um blog para ser levado tão a sério, é para divertir e levar a reflexão. Nem sempre as histórias ou relatos são autobiográficos. São apenas escritos desta anônima que gosta de inventar.


sábado, 21 de agosto de 2010

Ressaca

Hoje o mar está de ressaca
e eu não me atrevo a me aproximar
as ondas, espumas brancas;
com toda sua beleza e arrogância,
afundam minha coragem, meu êxito
e eu não me atrevo a me aproximar.


Ele está raivoso, mas é atraente.
A cor suave para os olhos...
mas quem se atreve a se atirar?
No clarão de uma manhã de verão
ninguém tenta se esquivar
e logo se atreve a se atirar.


O mar está de ressaca
as ondas, com ódio, arrancam os pés da areia
e os levam para suas profundezas
sem volta, e sem nenhuma esperança.


Quem se preparou para o adeus?
Quem fez a última confissão?
Ninguém se perdoou, só arriscou
entre elas, sem nenhum pensar,
decidiu, e atirou-se.


Silêncio.


Caminhando pela praia, ainda quase madrugada,
encontrei o que restou,
na calmaria crepuscular.

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