Muito muito tímida. rs Mas tomei coragem e decidi colocar aqui para quem quiser ouvir.
Sobre as coisas que eu não falo
Este espaço é livre, tendo como próposito discutir ideias a respeito de qualquer assunto. Não é um diário e nem um blog para ser levado tão a sério, é para divertir e levar a reflexão. Nem sempre as histórias ou relatos são autobiográficos. São apenas escritos desta anônima que gosta de inventar.
sexta-feira, 7 de março de 2014
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Da descoberta do mundo, o meu
Eu
queria mesmo era contar as minhas histórias, as minhas descobertas, os meus
fracassos, as minhas angústias, os meus desafios. Eu queria era olhar no
espelho e encontrar a mim, com o cabelo do meu jeito, com aquele olhar
peculiar, com a minha maquiagem, com as minhas pequenas bolsas que estão se
formando ao redor dos meus olhos. Existir é muito fácil. Eu existo, ocupo espaço.
Ser é que é difícil. Para SER é preciso,
antes, desprender-se de tanta coisa, desapegar. Abandonar. Parece incoerente, mas antes de SER, é preciso
distanciar-se de si mesmo. Um dia desses,li que para enxergar é preciso
afastar-se do objeto. Para ser, é preciso esquecer. Esquecer pequenos
problemas, mágoas, erros e frustrações. Para ser , é preciso ter uma meta, um
osso, agarrar-se no que se acredita e
arriscar-se, ir em frente.
Nunca
me importei de ser transparente, fiel aos meus sentimentos, as minhas
angústias, mas descubro que num mundo tão obscuro, corporativista, em que se
valoriza a estética e a competitividade,e
a filosofia do TER, precioso mesmo é resguardar
as emoções, as tristezas, os medos, reguardar o SER. Decepções sempre serão
muitas, porque decepcionar-se é resultado da espera, a espera de algo desejado
que não aconteceu. E quem nunca ficou
esperando um ônibus por mais de 10 minutos quando acreditava que não iria
demorar? Quem nunca esperou, no meio de uma briga, um pedido de desculpa que
nunca veio? Quem nunca criou uma utopia para dar mais sentido a vida? Quem nunca pensou ter guardado numa caixinha
um brinquinho de ouro e, depois de procurar, descobre que perdeu na viagem
anterior? As decepções surgem, nos perpassam,
nos atropelam. E devem parar por aí. Não dou a elas o direito de me destruírem.
Deixam-me triste por um tempo, depois chega a hora de seguir em frente.
Refazer-se. Ser. Ser quantas vezes for necessário.
Alguns
se incomodam com o refazer-se. Refazer-se exige reflexão, silêncio, olhar
crítico. Nem todos aceitam o silêncio, compreendem a escolha alheia, acolhe o
outro que é feliz de outras maneiras. Para alguns o mundo vai ser sempre cinza,
pesado , opressor, e com amarras demais para conseguir libertar-se. Para eles,é
impossível soltar as amarras, deixar o barco seguir para outros rios, outros
mares. E aí, começam a achar que já que
o mundo é um lugar perigoso demais, o que existe são regras, que devem ser
seguidas cegamente. Assim, realmente, o mundo fica sem cor, árido,
insatisfatório, sem sabor. A gente vai sumindo até ficar invisível.
Decidi
desapegar, esquecer, arriscar. Deixar as mágoas, os desencontros, as decepções
num cantil pequeno, fácil de “deixar pra lá”, fácil de distanciar do coração.
Quero começar 2014 com o coração leve, com a mente florida e com o corpo são. Com
a alma livre, vem o perdão, a compaixão, o sentimento de que tudo muda, tudo se
transforma. E aí, quem sabe, não more mais em mim a culpa, o medo. E aí, quem
sabe, depois de tudo isso, eu sinta vontade de fazer tortas de limão com mais
frequência.
sábado, 30 de novembro de 2013
Ataduras
Hoje eu tomei meu café com açúcar
Já não ligo se faz mal
É tanta coisa pra se preocupar
Eu não me importo mais com as rachaduras
A parede do meu quarto está trincada.
A tinta da
varanda está descascada.
O vidro da
janela quebrou
A televisão
parou de ligar.
O meu
despertador anda meio atrasado. A torneira da cozinha começou a pingar.
Vamos girar girar numa montanha russa
Vamos girar girar numa montanha russa
Vamos girar girar
Vamos girar até tudo ficar inerte
Até tudo ficar parado.
Até tudo sumir.
Me diz como é
poder andar sem as amarras
Todo esse
tempo eu pensei que eu estava livreMas quem escapa das ataduras?
sábado, 7 de setembro de 2013
À gente que se acha demais
Sempre
me atraíram as pessoas que são diferentes de mim. Alguns já me julgaram por
isso, outros não disseram sua nobre opinião mas espiavam com ares de
repreensão. E muitos me diziam: “fulana é sua amiga?” “como é possível, ela é
tão diferente de você?” “ nossa, mas vocês têm atitudes tão contrárias, como
podem se dar bem?”Às vezes escutei esses comentários e simplesmente ignorei,
outras, me senti incomodada e me questionei porque não enxergavam o outro como
eu. Com o tempo, fui percebendo que não
havia nada de errado nisso e que o problema é que muita gente tem medo daquilo
que desconhece e que, por conta disso, prefere manter distância e julgar, tendo
como parâmetro apenas a sua verdade soberana e suprema.
Não gosto de gente assim. Gente que julga a garota que tem o cabelo loiro com mechas coloridas, ou aquela menina que tem piercing na língua, o menino que gosta de ler revistas de moda e aquela senhora que não tem filhos e vive sozinha. Gente que julga o caráter devido à escolha da profissão, à classe social, à cor da pele, à opção sexual, à aparência física e religião. Essa gente me entristece. Faz os meus dias serem cinzas, me envelhece e me envergonha. O pior é que essas pessoas com seus podres comentários estão por toda parte, estão na academia, do outro lado da calçada, na fila do banco, no facebook, às vezes até fazem parte do seu convívio. Não tem como escapar delas. E isso me assusta.
Tem gente que quando vai à padaria pela manhã nunca jamais cumprimenta a
pessoa que está atendendo. Gente que não dá a mínima atenção para a pessoa
que faz a limpeza do prédio, que acha desperdício de tempo conversar com os
mais velhos. Gente que ignora o outro
porque não o considera com a beleza adequada para poder desfrutar do prazer, quase
que orgástico, de sua companhia. Gente que se acha importante demais, sublime
demais, nobre demais, boa demais. Gente que acha que merece o céu, o paraíso, o
infinito e as sete maravilhas do mundo.Não gosto de gente assim. Gente que julga a garota que tem o cabelo loiro com mechas coloridas, ou aquela menina que tem piercing na língua, o menino que gosta de ler revistas de moda e aquela senhora que não tem filhos e vive sozinha. Gente que julga o caráter devido à escolha da profissão, à classe social, à cor da pele, à opção sexual, à aparência física e religião. Essa gente me entristece. Faz os meus dias serem cinzas, me envelhece e me envergonha. O pior é que essas pessoas com seus podres comentários estão por toda parte, estão na academia, do outro lado da calçada, na fila do banco, no facebook, às vezes até fazem parte do seu convívio. Não tem como escapar delas. E isso me assusta.
Quando
olho para a minha amiga que vê o mundo sob outra perspectiva diferente da
minha, quando escuto meu vizinho falar do que ele acredita que seja Deus,
descubro e reafirmo a ideia de que não é possível haver uma verdade única e que
não existe uma única maneira de se ser feliz. Descubro ainda como é bonito essa
mistura de filosofias, de valores, formas de amar e de se sentir amado, formas
de se expressar e de se individualizar, de ter uma voz no meio desse grande
discurso clichê que a nossa sociedade cultua. Uns dias atrás li em uma revista
a seguinte frase “Se você se encaixa perfeitamente no padrão da sociedade,
acredite, você não é normal”. Ufa, já
estava achando que eu estava beirando à loucura quando pensei que seguindo o
ritmo dessa sociedade jamais poderia me sentir plena e realizada.
Eu
gosto de ver no outro aquilo que não sou, gosto de admirar o que o outro
cultiva com tanta força e fé, gosto de ouvir histórias que não se parecem com
as minhas, mas que pertencem a alguém que
resolveu compartilhar comigo sem medo de ser criticado. E já fui julgada por isso,
por escutar tais histórias, pois assim estou “participando do erro” do outro. Quando estou sozinha, apenas com meus pensamentos, me atrevo a ter esperança de que um dia essa gente soberba, que tem a razão das coisas, perceba o quão insano e triste é acreditar que para ser feliz tem de seguir um único manual, com instruções inquestionáveis e imutáveis. Atrevo-me a sonhar com uma humanidade mais humana e menos hipócrita.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Das coisas que eu não entendo mas que me fascinam...
Não me interessam as formas simétricas
Não me interessam os finais felizes
Eles não me despertam
Eles não me acordam
Eles não me fazem sair do lugar.
Mas, o suspense que antecede a descoberta;
o copo cheio depois de ter estado vazio;
o suor das mãos que surge e desliza lentamente;
o sorriso que esconde a tristeza;
o corpo que não é só músculos
mas que também guarda história;
e também a onda que forma,
na sua violência,
e que estoura na beira, na pedra
com suas espumas deslizantes e breves
que levam musgos, conchas e areias
A água que desce da montanha
velozmente
cristalina, fria
e que de tanto passar por ali
vai esculpindo formas
nas rochas que encontra.
A borra que ficou na taça de vinho
A palavra que não saiu no fim da discussão
As dúvidas que surgiram diante de uma certeza.
O silêncio que veio depois de um grito.
São essas invonluntariedades que deixam a vida
mais boba, mais bonita, mais curta, mais doida
mais nossa...
domingo, 17 de março de 2013
Paranoia de mulher
Mulher tem mania de querer acordar cedo com o pensamento fixo de que vai salvar o mundo, de que vai pôr em ordem toda a bagunça da casa, que vai um dia ter o cabelo igual ou mais bonito que o da Gisele Bundichen, que não vai esquecer de cumprir toda a agenda da semana, fazer as unhas regularmente, sair com as amigas no fim de semana, aparentar estar sempre dando conta de tudo, minuciosamente, e aparecer linda e deslumbrante a todos os eventos.
Mulher tem mania de querer estar sempre de dieta, a mais restrita possível.Comer pouco virou símbolo de poder. Mulher tem mania de querer fazer quatrocentas e cinquenta e cinco mil coisas ao mesmo tempo e no final de tudo estar ultra mega disposta, sem nenhuma olheira nem rugas. Tantas manias e desejos nos deixaram cansadas e até mesmo um pouco frustradas diante da impossibilidade de sermos perfeitas. Não me agrada nem um pouco a ideia de mulher-barbie ( pela qual muitos homens sonham e babam) e nem a ideia de mulher-maravilha (a que está 24 horas na luta). ´
Tantas cobranças, tantas insatisfações nos tornaram competitivas e sonhadoras demais. No final das contas, estamos exaustas, doentes, reféns de ideais femininos. Digo por mim, quando acordo, já faço um roteiro do que deveria ser meu dia perfeito, esboço minhas atividades mentalmente, e peço a Deus para que assim o seja. Este tem sido meu erro. Expectativas, imaginar o ideal , o ideal de mim mesma. Idealizar uma carolina perfeita, que dê sempre conta de tudo, que consiga manter em ordem o corpo, a mente e a alma 24 horas por dia. É justamente a crença de que o que é planejado sempre dará certo é que nos faz adoecer.
Sinto muito mas TUDO nos foge do controle. Em linguagem simples e popular: nem tudo será mil maravilhas! Nem tudo será palavras de otimismo, nem todos te enxergarão como você pensa ser (ainda tem isso, quando você acha que esta é a melhor versão de si mesma, chega alguém e diz que você poderia mudar). Desculpe te decepcioná-la, amiga! Só a vida da Barbie que é cor de rosa!
A cada dia tento me reinventar, mas com a consciência de que nem tudo sairá da maneira como eu gostaria. ´Tem dias que prefiro as unhas sem esmalte e o cabelo natural, outros que me questiono por que não os fiz serem mais leves e descomplicados. Fica no ar a terrível vontade de que sempre poderemos ser outra, deusas, super humanas! Eis o legado feminino.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Das falsas amizades
Traição de amigo dói, magoa, demora a curar, se é que tem como curar! Traição de amigo é pior que traição de namorado ou de marido! Aquele sujeito que passou anos sabendo detalhes íntimos da sua vida, que te ligava nas horas de aperto, a quem você recorria para debafar ou para contar ofegante e exageradamente feliz a novidade que você aguardava a tanto tempo. Aquele sujeito que estava acima de qualquer suspeita quando se tratava de lealdade e sinceridade.
Ah, quanta ingenuidade acreditar que se pode confiar plenamente em outro ser humano! Não estou falando da amizade que a gente faz numa tarde, numa viagem ou numa conversa de facebook, estou falando daquelas amizades que se arrastam desde o início da vida e que, com o passar dos anos, se mostram cruéis, invejosas e desleais. Não é fácil acreditar que o que pensávamos ser um sentimento puro e generoso tenha se transformado em competitividade e hipocrisia.
Alguns irão dizer "eis a vida adulta" , mas por que a maturidade traz consigo a falta de verdade e a ingratidão? De verdade, não entendo e , sinceramente, recuso-me a entender e a aceitar. Não aceitarei o afastamento, não aceitarei a indisposição. Não sou do tipo que finge que está tudo bem, e pronto, "continuarei a ser sua amiga mesmo você não sendo minha." Não mesmo! Não espere isso.
Algumas pessoas por aí, quando erram pedem desculpas, quando vê o outro triste oferece a ajuda, quando discorda diz que não pensa assim. Algumas pessoas agem assim.
Há a decepção ao percebermos que fomos usados pelos respectivos "amigos", que a disposição não era mútua e que simplesmente, como tudo na vida, a amizade acabou. Acabou com algumas DRS ( discutindo a relação) ou acabou aos poucos, friamente, até nos darmos conta de que não há mais laços fortes de união. Quando termina com algum desentendimento, sempre uma das partes diz justamente o que nunca esperávamos escutar. Nessas horas, como uma luz que se acende no meio da escuridão, enxergamos o que não víamos no outro, ou ainda, o que não queríamos ver. Vem a raiva, o sentimento de traição e a frustração.
Se há como curar, não sei, mas o jeito é olhar pra frente, guardar os momentos bons e fazer a própria história.
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