Sobre as coisas que eu não falo



Este espaço é livre, tendo como próposito discutir ideias a respeito de qualquer assunto. Não é um diário e nem um blog para ser levado tão a sério, é para divertir e levar a reflexão. Nem sempre as histórias ou relatos são autobiográficos. São apenas escritos desta anônima que gosta de inventar.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Da descoberta do mundo, o meu


Eu queria mesmo era contar as minhas histórias, as minhas descobertas, os meus fracassos, as minhas angústias, os meus desafios. Eu queria era olhar no espelho e encontrar a mim, com o cabelo do meu jeito, com aquele olhar peculiar, com a minha maquiagem, com as minhas pequenas bolsas que estão se formando ao redor dos meus olhos. Existir é muito fácil. Eu existo, ocupo espaço. Ser é que é difícil. Para SER  é preciso, antes, desprender-se de tanta coisa, desapegar. Abandonar. Parece  incoerente, mas antes de SER, é preciso distanciar-se de si mesmo. Um dia desses,li que para enxergar é preciso afastar-se do objeto. Para ser, é preciso esquecer. Esquecer pequenos problemas, mágoas, erros e frustrações. Para ser , é preciso ter uma meta, um osso, agarrar-se no que se acredita  e arriscar-se, ir em frente.

Nunca me importei de ser transparente, fiel aos meus sentimentos, as minhas angústias, mas descubro que num mundo tão obscuro, corporativista, em que se valoriza a estética  e a competitividade,e a filosofia do TER,  precioso mesmo é resguardar as emoções, as tristezas, os medos, reguardar o SER. Decepções sempre serão muitas, porque decepcionar-se é resultado da espera, a espera de algo desejado que não aconteceu.  E quem nunca ficou esperando um ônibus por mais de 10 minutos quando acreditava que não iria demorar? Quem nunca esperou, no meio de uma briga, um pedido de desculpa que nunca veio? Quem nunca criou uma utopia para dar mais sentido a vida?  Quem nunca pensou ter guardado numa caixinha um brinquinho de ouro e, depois de procurar, descobre que perdeu na viagem anterior?  As decepções surgem, nos perpassam, nos atropelam. E devem parar por aí. Não dou a elas o direito de me destruírem. Deixam-me triste por um tempo, depois chega a hora de seguir em frente. Refazer-se. Ser. Ser quantas vezes for necessário.

Alguns se incomodam com o refazer-se. Refazer-se exige reflexão, silêncio, olhar crítico. Nem todos aceitam o silêncio, compreendem a escolha alheia, acolhe o outro que é feliz de outras maneiras. Para alguns o mundo vai ser sempre cinza, pesado , opressor, e com amarras demais para conseguir libertar-se. Para eles,é impossível soltar as amarras, deixar o barco seguir para outros rios, outros mares.  E aí, começam a achar que já que o mundo é um lugar perigoso demais, o que existe são regras, que devem ser seguidas cegamente. Assim, realmente, o mundo fica sem cor, árido, insatisfatório, sem sabor. A gente vai sumindo até ficar invisível.

Decidi desapegar, esquecer, arriscar. Deixar as mágoas, os desencontros, as decepções num cantil pequeno, fácil de “deixar pra lá”, fácil de distanciar do coração. Quero começar 2014 com o coração leve, com a mente florida e com o corpo são. Com a alma livre, vem o perdão, a compaixão, o sentimento de que tudo muda, tudo se transforma. E aí, quem sabe, não more mais em mim a culpa, o medo. E aí, quem sabe, depois de tudo isso, eu sinta vontade de fazer tortas de limão com mais frequência.

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