Quando nossa energia anda baixa e pesada, parece que
algo conspira para que os acontecimentos contiunem contra nós. Como ficamos
pesados! Carregados! E uma sequência de eventos ruins se inicia. Pensamentos
negativos invadem nossa mente e se instalam, fazem uma varredura nas frases :
" vai dar certo, não perca a fé, vá
em frente, levante-se..." e assim vamos arrastados por uma maré nada do
bem.
.Tudo começa a dar errado e com isso vêm as decepções.
Como são devastadoras as decepções!
Sentimo-nos tão derrotados, tão fracos que é como se tivéssemos
assistindo a uma enchente arrastando o que levamos tempo para construir, o que
achávamos ser seguro e que em uma fração de segundos ruiu, desabou, já não
existe. As decepções são assim, destroem a percepção que tínhamos do mundo, a
confiança no próximo, o amor-próprio, a fé em si mesmo. E ficamos nus,
descalços, desamparados, desprotegidos. Não sabemos se esperamos alguma ajuda,
se ficamos parados ou se saímos correndo dali. E por não saber, muita das vezes
parece ser a melhor opção só ficar ali, esperando, esperando sabe-se lá o que.
Essa espera, esse vai ou não vai, essa angústia por um
recomeço é que eu chamo de inferno astral. Olhamos no espelho e lá está a prova
estampada na nossa cara. Nosso olhar fica pesado, aparecem as olheiras depois
de noites de insônia, aparece a marca de que há algo de muito errado com a
gente. E vem a sensação de que se está
infeliz , quando lembramos de um
momento e falamos: " como eu já
estive bem" . Não é fácil perceber
que se está infeliz, na verdade nem sei se posso dizer que já estive totalmente
infeliz. Talvez infelicidade tenha a ver com
o que se prioriza no momento e não acontece. Pode ser que quando eu estiver na minha velhice descubra
que o que chamei de infelicidade era apenas uma lição ou uma consequencia dos
meu atos impensados.
Quem nos vê nus e desamparados e nos oferece abrigo,
calor, esperança depois de uma tempestade de frustrações? De repente surge, de
alguma profundeza desconhecida, um ser estranho, desconhecido, diferente, ergue
as mãos calejadas e nos pede para confiarmos nele. Inicialmente , temos medo,
já estamos na pior, mas passando alguns segundos, nos afeiçoamos a esse
estranho e percebemos que é ele quem vai nos tirar dessa, aos poucos, de uma
forma que não esperávamos. Surge lá no fundinho da gente o que sobrou do nosso
amor próprio, tentando nos salvar. Já não é mais o mesmo, frágil,
inseguro...está de cara nova, agora é outro, mais forte, mais duro. E assim
vamos reconstruindo nossa fé, nossos valores, enxergando nossos erros,
redescobrindo a beleza da vida.
Durante meus poucos 24 anos só vivi dois longos
infernos astrais , ambos me mudaram para sempre e fizeram eu ser quem sou hoje.
Nunca direi que valeram a pena, jamais. Foram tristes, roubaram meu tempo de
vida, eu viveria muito bem sem eles, mas como diz o velho ditado: o que não
mata, fortalece.