Sobre as coisas que eu não falo



Este espaço é livre, tendo como próposito discutir ideias a respeito de qualquer assunto. Não é um diário e nem um blog para ser levado tão a sério, é para divertir e levar a reflexão. Nem sempre as histórias ou relatos são autobiográficos. São apenas escritos desta anônima que gosta de inventar.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Dos infernos astrais que vivi

Até um ano atrás eu nunca tinha sido  do tipo que acreditava em cosmos, vibrações e essa coisa de energia positiva e negativa. Hoje posso dizer com convicção que há algo por trás de tudo, do nosso estado de espírito, humor, a frequencia que emitimos ao mundo.

Quando nossa energia anda baixa e pesada, parece que algo conspira para que os acontecimentos contiunem contra nós. Como ficamos pesados! Carregados! E uma sequência de eventos ruins se inicia. Pensamentos negativos invadem nossa mente e se instalam, fazem uma varredura nas frases : " vai dar certo, não perca  a fé, vá em frente, levante-se..." e assim vamos arrastados por uma maré nada do bem.

.Tudo começa a dar errado e com isso vêm as decepções. Como são devastadoras as decepções!  Sentimo-nos tão derrotados, tão fracos que é como se tivéssemos assistindo a uma enchente arrastando o que levamos tempo para construir, o que achávamos ser seguro e que em uma fração de segundos ruiu, desabou, já não existe. As decepções são assim, destroem a percepção que tínhamos do mundo, a confiança no próximo, o amor-próprio, a fé em si mesmo. E ficamos nus, descalços, desamparados, desprotegidos. Não sabemos se esperamos alguma ajuda, se ficamos parados ou se saímos correndo dali. E por não saber, muita das vezes parece ser a melhor opção só ficar ali, esperando, esperando sabe-se lá o que.

Essa espera, esse vai ou não vai, essa angústia por um recomeço é que eu chamo de inferno astral. Olhamos no espelho e lá está a prova estampada na nossa cara. Nosso olhar fica pesado, aparecem as olheiras depois de noites de insônia, aparece a marca de que há algo de muito errado com a gente. E  vem a sensação de que se está infeliz ,  quando lembramos de um momento  e falamos: " como eu já estive  bem" . Não é fácil perceber que se está infeliz, na verdade nem sei se posso dizer que já estive totalmente infeliz. Talvez infelicidade tenha a ver com  o que se prioriza no momento e não acontece.  Pode ser que  quando eu estiver na minha velhice descubra que o que chamei de infelicidade era apenas uma lição ou uma consequencia dos meu atos impensados.

Quem nos vê nus e desamparados e nos oferece abrigo, calor, esperança depois de uma tempestade de frustrações? De repente surge, de alguma profundeza desconhecida, um ser estranho, desconhecido, diferente, ergue as mãos calejadas e nos pede para confiarmos nele. Inicialmente , temos medo, já estamos na pior, mas passando alguns segundos, nos afeiçoamos a esse estranho e percebemos que é ele quem vai nos tirar dessa, aos poucos, de uma forma que não esperávamos. Surge lá no fundinho da gente o que sobrou do nosso amor próprio, tentando nos salvar. Já não é mais o mesmo, frágil, inseguro...está de cara nova, agora é outro, mais forte, mais duro. E assim vamos reconstruindo nossa fé, nossos valores, enxergando nossos erros, redescobrindo a beleza da vida.

Durante meus poucos 24 anos só vivi dois longos infernos astrais , ambos me mudaram para sempre e fizeram eu ser quem sou hoje. Nunca direi que valeram a pena, jamais. Foram tristes, roubaram meu tempo de vida, eu viveria muito bem sem eles, mas como diz o velho ditado: o que não mata, fortalece.

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