Sobre as coisas que eu não falo



Este espaço é livre, tendo como próposito discutir ideias a respeito de qualquer assunto. Não é um diário e nem um blog para ser levado tão a sério, é para divertir e levar a reflexão. Nem sempre as histórias ou relatos são autobiográficos. São apenas escritos desta anônima que gosta de inventar.


terça-feira, 27 de julho de 2010

Do luto à ressurreição

             Num instante distraído, num movimento simples, abrupto, de repente; sem nem mesmo desconfiar de alguma conspiração do universo, as circunstâncias rotineiras modificam-se. Como um impactante acidente em que o corpo sai do lugar e assusta-se, as mudanças nos abalam e nos desconstroem . Uma separação amorosa, a notícia de uma doença séria, a perda de um ente querido trazem grandes reflexões sobre nossa existência e nosso estado de humanidade.
           Devido a vida agitada atual, esquecemos de que não somos super heróis capazes de enfrentar qualquer situação, seja ela de ordem racional ou emocional. Na anatomia humana não existe um botão 'DELETE' que apague nossas dores, recordações ou sonhos que se quebraram.  O que acontece é que quando somos pegos de surpresa por uma mudança ou sofremos uma perda repudiamos o luto, principalmente o público, e o que tentamos fazer, da melhor forma possível, é estarmos "prontos", inteiros, sem sinais vísiveis de tristeza. Então vamos direcionar a maior parte de nossas energias no trabalho, corremos para um curso interessante, entramos em uma academia, tomamos um floral ou, de vez em quando, um inocente anti-depressivo. Colocamos toda nossa angústia e frustração dentro de uma grande "caixa preta", secretamente.
           Por causa das atuais e medicinais "fórmulas mágicas" para o alcance da felicidade, passamos a acreditar que não devemos dar espaço para nehuma forma de melancolia ou nostalgia. Resultado: lotamos a caixa preta com nossas mais densas e obscuras emoções até que um dia nos sentimos cansados de carregarmos, sozinhos, fardos tão pesados.
         Mas, em algum momento misterioso, descobrimos que diante da mudança existe a passagem para a transformação em direção a um caminho novo. Para seguirmos em frente é preciso nos esvaziarmos, libertar nossas emoções e entregar-se ao próprio eu e deixar-se sentir o que se está sentindo, seja uma imensa dor, seja uma vontade absurdar de gritar até se emudecer.
         Penso que não há saídas objetivas para os acontecimentos inesperados e aflitivos que nos perseguem durante a vida. O melhor a fazer é respeitar o próprio tempo de cura , olhando para os novos caminhos que vão surgindo como uma forma de ressurreição.

4 comentários:

  1. Que texto maravilhoso!
    É assim mesmo que me sinto.
    Estava com saudade disso, antigamente na época da escola, eu lia seus textos e me emocionava muito com o tanto que eu me identificava.
    E me senti assim agora.
    E o que mais me emociona nessa amizade, é o quanto nós interpretamos a vida da mesma perspectiva em diversos aspectos e o que não concordamos debatemos educadamente.
    É muito bom ter amigos, que bom que você é um deles.
    Abraço apertado.

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  2. Amiga, que bom que você se sente assim!!! Apesar das nossas diferenças, temos muitas coisas em comum, principalmente sensibilidade.
    Sinto também muita saudade daquele tempo em que tinha você por perto SEMPRE!!!

    Escrevi esse texto pensando como nós evitamos o luto e, sobretudo, discuti-lo.

    Muuitas saudades
    beijos

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  3. Carolina!

    Gostei muito de sua visita e espero que retorne mais vezes...

    Seu texto é excelente...temos que seguir o caminho e ir abandonando as malas de desgostos pela estrada...apesar de ser complicado...

    Voltarei outras vezes,com certeza!

    Um beijo!

    Sonia Regina.

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  4. Olá, Sonia

    Obrigada pela visita e pelo comentário. Volte sempre que quiser!!!

    Como voce disse, nem sempre é fácil deixar nossos medos e decepções para trás, mas temos de seguir o novo caminho que nos é apresentado.

    Beijos e seja bem vinda por aqui!

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