Sobre as coisas que eu não falo



Este espaço é livre, tendo como próposito discutir ideias a respeito de qualquer assunto. Não é um diário e nem um blog para ser levado tão a sério, é para divertir e levar a reflexão. Nem sempre as histórias ou relatos são autobiográficos. São apenas escritos desta anônima que gosta de inventar.


domingo, 3 de abril de 2011

Eu e minha ansiedade

       Fui uma criança ansiosa: roía as unhas, mexia no cabelo, comia chocolates, tudo para amenizar essa inquietação que eu nem sabia o que era. Fui uma adolescente ansiosa: roía as unhas, mexia no cabelo, comia chocolates. E continuo uma pós-adolescente ansiosa.
          Não fico mais roendo os cantinhos das minhas unhas, mas continuo louca por doces e novos vícios: internet, estudar e trabalhar.Twittar minhas alegrias e frustrações, conversar no facebook, descobrir outros mundos no blogspot. Comunicar,estudar e trabalhar viraram remédio para minha ansiedade. Resultado 1: estou sempre lutando contra o ócio. Logo eu que sempre gostei de tirar um cochilo depois do almoço nos finais de semana, eu que sentia prazer em assistir um filme comendo brigadeiro na panela, eu que sempre curti ficar em silêncio de olhos abertos no escuro antes de dormir, um hábito que era quase um mantra para relaxar e sonhar.
        Agora não consigo ficar sem fazer nada. É como se o nada ocupasse um espaço ou um tempo precioso demais para ser perdido, e isso significa também que não tenho permitido minha mente ficar no offline. Estou a todo vapor! Resultado 2: minha imunidade está lá embaixo. Culpa desse mundo pós-moderno, em que temos vários perfis e estamos em dezenas de lugares exercendo muitos papéis ao mesmo tempo? Ou será que nos desdobramos em diversas personas  para preencher o vazio que essa pós modernidade nos deixou?
      Como todo mundo tem orgulho de dizer que está sempre muitíssimo ocupado, não tem sobrado muito tempo para o (s) outro (s): o outro 1- o nosso eu (estamos sem tempo para refletir sobre nós mesmos) e o outro2 - a família, os amigos, o vizinho. A desculpa: " mas nós conversamos pela internet...". Nem se compara uma conversa pela internet ou telefone,com o contato pessoal: olho no olho, o toque, a troca de palavras e risadas, as interrupções durante a conversa, a velha e simples conversa de amigo mais um cafezinho.  Ter tempo para amar...
      Embora nunca tenha vivido numa época e num lugar onde as pessoas sentam nas cadeiras de suas varandas à tardinha, e bordam, e pintam,e conversam, e visitam seus amigos em suas casas, sinto que  estamos cada vez mais distantes e insensíveis ao sentimento alheio.
      E é na loucura do dia-a-dia e das redes sociais que vamos nos afundando de obrigações e atividades, compulsivamente, deixando sempre para depois o contato próximo e profundo com o nosso eu e com o outro.Resultado 3: Solidão.

       Agora, depois de ter finalmente acabado esse texto, acho que vou fazer um lanchinho e outras coisas que ficaram pendentes para terminar esse final de semana. É impossível parar.

2 comentários:

  1. Eu também sinto isso amiga, por isso a todo custo estou tentando me desvencilhar das comunidades sociais on line. Sinto mesmo uma necessidade de interagir com o universo real a minha volta. O mais engraçado era que a minha vizinha me adorava e sempre me chamava p sair e eu conversava com ela mais pela internet e a gente morava mto grudadas, agora ela se foi pro Uruguay e to sentindo mta falta e dor na consciencia de que poderia ter a aproveitado mais.
    Como já disse o mestre Chaplin: Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre!
    Faça dos seu tempo valioso, faça o que vc realmente gosta, mesmo que seja twittar ou tomar café com os amigos! Sem esquecer das responsabilidades claro!
    Agora sobre comer brigadeiro e ver filme, lembrei da nossa adolescencia! Que nostalgia boa!
    Ainda fico muito tempo atoa, tenho certo orgulho de poder isso. rs
    Bjos

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  2. É verdade!Que lembrança boa!!! Comer brigadeiro de panela com as amigas..realmente, uma imagem bem adolescente me veio a cabeça...

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