Não há hipocrisia maior do que ignorar as falhas que cometemos ao longo da vida. Falhamos no trabalho, com o namorado (a), com um amigo querido, e com familiares. Erramos no julgamento do outro e no julgamento sobre si mesmo. Erramos porque instintivamente, ou não, só nos conhecemos como seres inconstantes; ora o sucesso, ora o fracasso, não há como saber quando o acaso (ou o destino, para aqueles que nele acreditam) nos pegará de surpresa; pode ser numa manhã ensolarada de segunda feira ou numa chuva fina de sábado.
Se viver é estar cada vez mais perto da morte, que segundo a bíblia é a fatalidade resultante do primeiro erro da humanidade, é ignorância não aceitar os enganos e insucessos cometidos, as pedrinhas e pedregulhos que se misturam na estrada da vida. Aceitar os erros não significa desistir de acertar, significa encará-los com a alma livre de preconceitos influenciados pelo olhar desconfiado de uma sociedade ou de uma cultura. Dessa forma, iniciamos um processo de aprendizagem e passamos a ver uma passagem para um lugar novo, antes desconhecido, com outras oportunidades de se ser o que nunca se esperou outrora .
Há quem pense que depois de tropeçar diante das pedrinhas, e principalmente, dos pedregulhos, está confinado a culpa e ao remorso. Mas, por que se lamentar infinitamente se podemos nos refazer e mudar? Só se permite perder o paraíso quem nunca visitou e construiu residência fixa no país do ‘ quem-sou-eu’. Pior, insistir em algo e não querer enxergar que estamos errando de tanto querer acertar.
Quantas vezes lutamos por algo que já não nos permite sonhar? Quantas vezes fixamos nossa mente na paisagem destruída por queimadas e longos períodos de seca acreditando que ali seja possível plantar e colher flores? E culpamos o mundo, o médico, o vizinho, o livro, o amante por não nos entender, por não nos deixar ser feliz.
A verdade é que não queremos perceber o que desejamos, quem somos e o que queremos fazer com a graça trágica e irônica que é existir. Só o que fazemos é continuar olhando para fora, com a visão embaçada, meio branca, quase cegos; junto com o tempo vão se indo infinitas possibilidades de felicidade, mesmo sabendo que viver é estar a todo instante perto do inferno e do jardim do Éden. Nossas quedas provam as tentativas que fizemos com nossos próprios pés, ideologias, linguagem e raízes. Nossa reerguida evidencia que já não somos mais os mesmos. Depois somos uma outra esperança, uma outra beleza, e um freqüente renascimento.
Amiga esse texto tá excelente. Dá pra sentir mesmo o quanto a gente peca em insistir em coisas que já passaram, ao invés de olhar para frente ficamos presos, achando que dá para semear em terra seca.
ResponderExcluirNa verdade, a gente nunca sebe mesmo o que quer da vida e fica dano murro em ponta de faca.
Tantos sonhos, tantos amigos, tantos amores... NOVOS! Isso é ótimo, a gente tem sempre que procurar coisas novas e caminhos de Luz e Bondade.
A última frase serviu para finalizar muito bem:
"Depois somos uma outra esperança, uma outra beleza, e um freqüente renascimento. "
Beijos
Procurar coisas novas e caminhos novos, a cada dia é uma constante busca pelo conhecer, reconhecer e aprender. Renascer!
ResponderExcluirObrigada, Lanellinda!
Continue deixando sempre seus comentários tão ousados e cheios de aprendizagens!