
Numa tarde de verão, em algum lugar que já não me recordo bem, estava eu sentada em um banquinho de madeira, desses que já estão descascando tinta verde. Fossem Talvez três horas da tarde, e se pudesse ouvir o tic tac do relógio me sentiría surpresa, pois as enguias combinariam perfeitamente com o tum tum tum do meu jovem coração. Não me lembro de algum estar com minhas mãos em livro. O calor aumentou enquanto eu pensava o quanto estava apaixonada. Alguém se aproximava de mim. Era ele. De alguma forma minha cabeça girou para sua direção. Atravessando uma faixa de pedestre vi-o. Baixei a cabeça como senão o tivesse visto e olhei para as minhas unhas. Elas tão Rocinhas Estavam ... e fingi estar surpresa com uma aparição sua. Beijei-lhe a boca. Sorri. Falei que senti saudades. Passei a mão direita sobre o cabelo. Olhei-o nos olhos.
Em alguns instantes, nosso encontro tedioso poderia ficar e aquele silêncio poderia ser perturbador, mas logo ele contava algo engraçado e desfazia-me em risos. Não poderia ser chata. De repente, flagrei uma enorme tristeza ao meu lado. Não, não ... está errado ... comecei a pensar. Um gato miou baixinho embaixo do banco de onde estávamos sentados. Sai daqui, gato!. O gato saiu delicadamente.
Silêncio. Ele colocou as mãos sem bolso da calça jeans e tirou uma caixinha de loja de bijuterias. Estava lá: uma pulseira com pedrinhas brancas. O gato fóruns embora e mandei a tristeza ir também. Ela foi obrigada a se retirar. Foi pelos cantos, ainda me espreitando. Ah! Que momento glorioso, sublime. Sorri. Olhei-o nos olhos. Beijei-lhe a boca. Pus uma pulseira. Alisei-a. Ele baixou os olhos. Sorriu. Sua face avermelhou-se. Agradeci.
Semana passada, enquanto procurava desesperadamente o manual da impressora nova, encontrei um tal pulseira de pedrinhas brancas dentro de uma caixinha escondida no fundo de uma gaveta do escritório. Algumas pedrinhas haviam descolado da pulseira, outras já não eram mais tão branquinhas, meio azuladas Estavam obviamente diamantes porque não eram. Já não brilhavam mais como antes. Guardei uma pulseira na caixinha novamente e joguei no lixo do banheiro. Afinal, era só bijuteria.
Que riqueza de detalhes! Está ótimo o texto!
ResponderExcluirE o paradoxo da bijuteria com o sentimento é ótimo!